Menu · Definições e resultados · Bolfarine & Bussab, Elementos de Amostragem, caps. 1–4 (págs. 1–126)

Amostragem — guia de prova, capítulos 1 a 4

Do vocabulário do levantamento à amostragem estratificada: enunciados, as contas que caem, e um exemplo numérico por ideia.

definição / resultado por que é verdade exemplo receita de prova armadilha

Para levar impresso: Ctrl+P → “Salvar como PDF” → margens padrão. Sai em duas colunas A4; esta caixa e os links de rodapé não são impressos. As aulas longas, com as demonstrações completas, estão em cap. 1, cap. 2, cap. 3 e cap. 4.

0 · Mapa de decisão — o que a questão pede × o que usar

A questão pede…Ferramenta§
“qual é a população alvo / amostrada?”, “o que é a unidade?”vocabulário do cap. 1: alvo ⊃ referida ⊃ amostrada; elementar × amostral × informante1
“esta amostra é representativa?”trocar por probabilística: todo s com P(s) conhecida e positiva1
“média das razões ou razão dos totais?”R¯=1N∑Yi/Xi contra R=τ(Y)/τ(X): parâmetros diferentes2
“escreva o plano”, “liste SA”Def. 2.5: pares (s,P(s)), ∑P(s)=12
E[t], Var[t] de uma estatística qualquerdistribuição amostral: ∑t(s)P(s), sem atalho2
“é não viesado?”, “qual o EQM?”B=E[t]−θ; EQM=Var+B22
πi, πij, ou “vale (2.14)?”πi=∑s∋iP(s)=E[δi]; (2.14) só em plano simétrico de tamanho fixo2
variância de y¯, “com reposição”σ2/n — e N2σ2/n para o total3
idem, “sem reposição” (o caso real)(1−f)S2/n, f=n/N3
intervalo de confiançay¯±zαvar[y¯], com s2 no lugar do parâmetro3
“quantos elementos devo sortear?”D=B2/zα2; depois n=σ2/D (c/rep.) ou 1/(D/S2+1/N)3
proporção, porcentagem, “quantos %”a mesma fórmula com Yi 0–1: σ2=PQ, S2=NN−1PQ3
“y¯ é o melhor estimador?”Teor. 3.6 / 3.10: sim, entre os lineares não viesados (∑ℓi=1)3
“compare os dois planos”, “vale a pena?”EPA = razão das variâncias; AASs × AASc dá (N−n)/(N−1)3
população dividida em grupos conhecidosy¯es=∑Why¯h, Wh=Nh/N (Teor. 4.1)4
“como reparto n entre os estratos?”proporcional nWh; ótima ∝Whσh (Neyman); com custo, divida ainda por ch4
“estratificar ajuda?”, “quanto ganhei?”σe2 é o ganho: Vpr=σd2/n contra Vc=σ2/n4
orçamento C=c0+∑chnh fixo(4.18): n=(C−c0)∑Whσh/ch÷∑Whσhch4

1 · Capítulo 1 — o levantamento antes da fórmula

Do objetivo ao parâmetro — a cadeia que a prova cobra

Objetivo → constructo (a ideia: “bem-estar”, “intenção de voto”) → variável (o que se mede: renda em R$) → parâmetro (o número-alvo: μ, τ, P, R).

O constructo nunca é observável: escolher a variável que o representa é decisão do pesquisador, e é o primeiro lugar onde o levantamento pode errar sem que nenhuma fórmula acuse.

Duas razões diferentes. Para Y (despesa) e X (renda):

R=∑Yi∑XiR¯=1N∑iYiXi

“Que fração da renda do país vai em comida” é R; “qual a fração média nos domicílios” é R¯. Números diferentes, perguntas diferentes.

Três unidades, três populações

As três só coincidem na AAS de uma lista de pessoas. Quando a amostral ≠ elementar, o plano já é de conglomerados ou de estágios (caps. 7–8).

Alvo ⊇ referida ⊇ amostrada. Toda a inferência estatística vale para a amostrada; passar dela à alvo é argumento substantivo, não probabilidade. As diferenças são erros de cobertura (Fig. 1.1).

Estrato × subclasse (cai quase sempre)

Estrato — subdivisão usada no sorteio: eu decido nh antes de olhar os dados, e Nh é conhecido. nh é constante.

Subclasse (domínio) — subdivisão descoberta depois, na análise (“entre os aposentados da amostra…”). O tamanho na amostra é aleatório, e por isso a variância do estimador na subclasse é maior que a de um estrato do mesmo tamanho.

“Amostra representativa” não existe como critério

Não há como verificar, antes de conhecer a população, se uma amostra “se parece” com ela. O que se controla é o processo: uma amostra é probabilística quando todo s∈SA tem P(s) conhecida e >0. Só então se pode calcular viés, variância e intervalo.

Amostras intencionais, por cotas ou de voluntários podem até acertar, mas não trazem consigo medida de erro — e é a medida de erro que se está comprando.

Receita — o levantamento em 8 passos (cai como questão discursiva)

  1. Objetivos e constructos; que decisão depende do número.
  2. População: unidade elementar, alvo, cadastro (sistema de referência).
  3. Variáveis e parâmetros; precisão desejada (B e γ).
  4. Plano amostral e tamanho n (caps. 3–9).
  5. Instrumento e método de coleta; pré-teste.
  6. Campo: treino, supervisão, controle de não resposta.
  7. Preparação: crítica, codificação, digitação, imputação.
  8. Análise com os pesos do plano, e relatório com a ficha técnica.

Erro amostral × erro não amostral

Amostral: vem de observar só parte. É o que Var[y¯] mede; diminui com n e some no censo.

Não amostral: cobertura, não resposta, resposta incorreta, erro de digitação, viés do entrevistador. Não diminui com n — um censo mal feito tem mais erro não amostral que uma amostra bem feita. É o argumento clássico a favor da amostra: menos unidades permite mais cuidado em cada uma, além de custo e prazo menores.

Exemplo — o exemplo eleitoral (p. 21)

Enunciado. Candidato com p=0,56 na amostra. Meia-largura do IC de 95%: 1,96pq/n.

nmargemintervalo
1009,7 p.p.46,3 % – 65,7 %
4004,9 p.p.51,1 % – 60,9 %
16002,4 p.p.53,6 % – 58,4 %

A leitura. Quadruplicar n corta a margem pela metade — n, não n. E N não aparece: numa população grande, a precisão depende de n, não da fração amostrada. (O livro imprime “53,5% a 59,5%” na última linha; é gralha.)

2 · Capítulo 2 — o formalismo que sustenta tudo

População, dados, parâmetro

U={1,…,N} são rótulos; D=(Y1,…,YN) é o vetor de valores — fixo, não aleatório. Parâmetro é qualquer função θ(D).

τ=∑iYi,μ=τN,σ2=1N∑i(Yi−μ)2
S2=1N−1∑i(Yi−μ)2=NN−1σ2

Nada é aleatório aqui: a aleatoriedade entra só pelo sorteio. É o que separa este curso da inferência usual — não há “modelo” para D.

Variável 0–1: se Yi∈{0,1} então μ=P, σ2=PQ, S2=NN−1PQ. Toda fórmula de média vale para proporção — é só substituir.

Amostra ordenada e as duas variáveis-chave (Defs. 2.1–2.4)

s=(i1,…,in) é uma sequência de rótulos, com repetição permitida. Sobre ela:

Toda estatística deste livro se escreve com elas — e é assim que E e Var saem sem listar as amostras:

t(s)=∑i∈syi=∑i=1Nfi(s)Yi

A soma da esquerda é sobre a amostra (aleatória); a da direita é sobre a população (fixa), com o acaso todo dentro de fi. Essa troca é o gesto do capítulo.

Plano amostral, simetria, tamanho fixo (Def. 2.5)

Plano = par (SA,P(·)) com P(s)⩾0 e ∑P(s)=1. Dois atributos que aparecem em quase toda demonstração:

Com os dois juntos: E[f]=n/N e Cov[fi,fj]=−Var[f]/(N−1) (2.9).

O resultado central (2.14)–(2.15)

Para t=∑fiYi sob plano simétrico de tamanho fixo:

E[t]=E[f]τ,Var[t]=Var[f]NS2(2.14)–(2.15)

Toda a teoria dos caps. 3 e 4 é este par. Basta saber a distribuição de fi:

planofi∼E[f]Var[f]
AAScBinomial(n,1/N)n/NnN(1−1N)
AASsBernoulli(n/N)n/NnN(1−nN)

Na AASs fi=δi, porque ninguém entra duas vezes. Daí sai o (1−f) do cap. 3 — nada além disso.

Distribuição amostral, viés, EQM (Defs. 2.8, 2.10–2.11)

A distribuição amostral de t é a lista de valores t(s) com as probabilidades P(s) somadas por valor repetido. Dela saem

E[t]=∑st(s)P(s),B[t]=E[t]−θ
EQM[t]=E[(t−θ)2]=Var[t]+B2[t]

Probabilidades de inclusão (Def. 2.9): πi=∑s∋iP(s)=E[δi]; πij=E[δiδj]. Em plano de tamanho fixo ∑πi=n. Se algum πi=0, a unidade é inalcançável e nenhum estimador pode ser não viesado para todo D.

Exemplo — a população de três domicílios (fio condutor dos caps. 2–3)

Enunciado. D=(12,30,18), N=3. Então τ=60, μ=20, σ2=56, S2=84.

AASc, n=2. 9 amostras ordenadas, 1/9 cada. E[y¯]=20 e Var[y¯]=28=σ2/2.

AASs, n=2. 3 amostras, 1/3 cada: {12,30}, {12,18}, {30,18} → y¯=21,15,24. E=20, Var=14=(1−23)842.

Metade da variância com o mesmo n: é o EPA =(N−n)/(N−1)=1/2.

Julga-se o plano, não a amostra

“Não viesado” é propriedade da média sobre todas as amostras possíveis. A amostra que você tem na mão pode estar longe de θ — e nada nela diz isso. Por isso a resposta correta nunca é “a amostra deu 15, logo está errada”, e sim “sob este plano, E[y¯]=μ e o erro padrão é tanto”.

3 · Capítulo 3 — amostragem aleatória simples

Os dois sabores, lado a lado (Teoremas 3.1–3.9)

AASc = n sorteios independentes com reposição, P(s)=1/Nn. AASs = sem reposição, P(s)=1/Nn entre as Nn não ordenadas. Ambos são simétricos de tamanho fixo.

AAScAASs
Var[y¯]σ2/n(1−f)S2/n
Var[T]N2σ2/nN2(1−f)S2/n
estimador de variâncias2/n(1−f)s2/n
E[s2]σ2S2
πi1−(1−1N)nn/N
Cov[yi,yj]0 (independentes)−S2/N

Em ambos E[y¯]=μ e E[T]=τ, com T=Ny¯ (estimador expansão) e f=n/N.

Por que aparece (1−f) — e não some no resto

Com y¯=t/n, (2.15) dá Var[y¯]=Var[f]NS2/n2. Só muda Var[f]:

AASc:nN(1−1N)NS2n2=(N−1)S2Nn=σ2n
AASs:nN(1−nN)NS2n2=(1−f)S2n

A razão entre as duas é o EPA da AASs contra a AASc:

1−n/N1−1/N=N−nN−1⩽1

Sortear sem reposição nunca piora, e melhora muito quando n é fração grande de N (no censo, n=N, a variância zera).∎

Receita — intervalo de confiança

  1. Calcule y¯ e s2=1n−1∑(yi−y¯)2.
  2. Erro padrão: (1−f)s2/n (tire o (1−f) se for com reposição).
  3. y¯±zα× erro padrão. Para o total, multiplique tudo por N.

Justificativa: y¯ é assintoticamente normal (cap. 10) — em população finita o TLC vale sob condições de regularidade, e a aproximação é ruim com n pequeno e população assimétrica.

Tamanho da amostra (3.20)–(3.21), (3.29)

Parta de P(|y¯−μ|⩽B)=γ e defina D=B2/zα2. Então

nc=σ2Dns=1D/S2+1/N

Para o total, troque D por D/N2: n=N/[ND/S2+1]. Para proporção, S2=NN−1PQ e, sem informação sobre P, o conservador usa PQ=1/4:

n=N4(N−1)D+1(3.34)

Na AASs sempre n<N: o termo 1/N é o teto do censo. Na AASc não há teto — σ2/n nunca zera.

Exemplo — 1 000 operários de 36 000 (Exs. 3.5–3.7)

Enunciado. Faltas em 6 meses; y¯=1,296, s2=2,397, f=1/36.

Média. ep =(35/36)2,397/1000=0,0483 → IC 95% (1,201; 1,391).

Total. T=36000×1,296=46656; IC (43 250; 50 062) — é só multiplicar o IC da média por N.

Tamanho. B=0,05, zα≈2: D=0,000625 e n=1/(0,000261+0,0000278)≅3466. Com 1,96 daria 3 341 — o livro alterna 2 e 1,96; escreva qual usou.

Proporção. Mais de 3 faltas: 88 de 1 000, p=0,088, ep =(35/36)0,088×0,912/999 → IC (0,071; 0,105); para B=0,01, n≅2948.

Otimalidade de y¯ (Teors. 3.6 e 3.10)

Na classe dos lineares y¯sℓ=∑ℓiyi com ∑ℓi=1 (condição de não viés para todo D), y¯ (todos ℓi=1/n) tem variância mínima — com ou sem independência. Na AASs,

Var[y¯sℓ]=S2(∑iℓi2−1N)(3.35)

e ∑ℓi2 é mínima quando todos os pesos são iguais (Cauchy–Schwarz). Fora da classe linear há estimadores melhores quando se tem informação auxiliar — é o cap. 5.

4 · Capítulo 4 — amostragem estratificada

Notação de índice duplo

U dividida em H estratos disjuntos e exaustivos, com Nh conhecido. Peso Wh=Nh/N, ∑Wh=1. Dentro do estrato, tudo é o cap. 3 com Nh, nh, μh, σh2, Sh2.

τ=∑hτh,μ=∑hWhμh

A média global é média ponderada das médias dos estratos — nunca a média simples delas, a menos que os estratos tenham o mesmo tamanho.

A decomposição da variância (4.3)–(4.4) — o coração do capítulo

σ2=∑hWhσh2+∑hWh(μh−μ)2=σd2+σe2

σd2 = variância dentro (média das variâncias); σe2 = variância entre (variância das médias).

A estratificação elimina σe2 e nada mais. Por isso: estratos com médias muito diferentes ⇒ ganho grande; médias iguais (σe2=0) ⇒ ganho nenhum. A regra prática: homogêneo dentro, heterogêneo entre.

Teorema 4.1 e Corolário 4.2 — o estimador

Sorteios independentes em cada estrato, por qualquer plano não viesado. Então

y¯es=∑hWhy¯h,E[y¯es]=μ
Var[y¯es]=∑hWh2Var[y¯h]Cor. 4.1

Sem termo de covariância: os estratos são sorteados independentemente. Substituindo a variância do cap. 3:

AASc:∑hWh2σh2nh,AASs:∑hWh2(1−fh)Sh2nh

Estimador do total: τ^es=Ny¯es=∑Nhy¯h, com variância N2 vezes a de cima.

As quatro alocações

alocaçãonh=quando
uniformen/Hestimar cada estrato com igual precisão
proporcional (AEpr)nWhpadrão; não precisa saber σh
ótima / NeymannWhσh∑Wkσkcustos iguais, σh conhecidos
ótima com custonWhσh/ch∑Wkσk/ckC=c0+∑chnh

Leia Neyman assim: amostre mais onde o estrato é grande (Wh), variável (σh) e barato (1/ch). Se σh for igual em todos, Neyman é a proporcional.

Com orçamento C fixado, o n total sai de (4.22):

n=(C−c0)∑Whσh/ch∑Whσhch(4.18)

Por que Neyman — Cauchy–Schwarz em uma linha

Minimizar ∑ah2/nh com ∑nh=n, onde ah=Whσh. Como

(∑hah)2=(∑hahnhnh)2⩽(∑hah2nh)n

então ∑ah2/nh⩾(∑ah)2/n, com igualdade se e só se ah/nh∝nh, isto é nh∝ah=Whσh. O mínimo vale Vot=(∑Whσh)2/n.∎

Teorema 4.4 — a desigualdade que resume o capítulo

Vot⩽Vpr⩽VcTeor. 4.4

e as diferenças têm nome (com σ¯=∑Whσh):

Vpr−Vot=1n∑hWh(σh−σ¯)2=σdp2n(4.24)
Vc=Vpr+σe2n=Vot+σe2n+σdp2n(4.25)

A leitura: a AASc paga dois pedágios — um porque as médias dos estratos diferem (σe2, e a proporcional já o elimina), outro porque os desvios diferem (e só Neyman o elimina). Com σh parecidos, o segundo é desprezível: a proporcional já é quase ótima.

Exemplo — oito domicílios (Ex. 4.1), tudo numa conta

Enunciado. Y=(13,17,6,5,10,12,19,6), região = (B,A,B,B,B,A,A,B). μ=11, σ2=24.

Estratos: DA=(17,12,19), μA=16, σA2=8,67; DB=(13,6,5,10,6), μB=8, σB2=9,2. WA=3/8.

Decomposição. σd2=0,375×8,67+0,625×9,2=9,0; σe2=0,375×52+0,625×32=15,0. Soma 24 ✓

Com n=4, AASc dentro:

plano(nA,nB)VarEPA
AASc, sem estratificar—6,001,00
AE uniforme(2 ; 2)2,410,40
AE proporcional(1,5 ; 2,5)2,250,375
AE ótima (Neyman)(1,47 ; 2,53)2,24950,375

A moral. O salto grande (6,00 → 2,25) é a estratificação; o refinamento de Neyman vale aqui só 0,0005, porque σA=2,94 e σB=3,03 são quase iguais — exatamente o que (4.24) prevê. Note também que σd2/n=9/4=2,25 sai direto de (4.9), sem somar estrato por estrato.

Exemplo — a alocação errada custa caro (Ex. 4.4)

Mesma população, estratos U1={2,4,7} (S12≅57,3) e U2 com 5 unidades (S22=10,8), AASs, n=3:

Razão 1,41: dar mais amostra ao estrato mais variável (ainda que menor) reduz a variância em 29%. É Neyman em miniatura.

IC, tamanho da amostra e proporções

y¯es±zα∑hWh2sh2nh

Para achar n é preciso fixar antes a forma da alocação (nh=nwh), porque a variância depende dos nh. Com proporcional e Neyman:

npr=σd2D,not=σ¯2D,D=B2/zα2(4.31)

Contra n=σ2/D da AASc: a economia de amostra é a razão σd2/σ2.

Proporções: pes=∑WhP^h, Ves=∑Wh2PhQh/nh, e Neyman vira

nh=nNhPhQh∑NkPkQk(4.33)

Como PQ varia pouco para P entre 0,2 e 0,8, Neyman ≈ proporcional para proporções moderadas; a diferença só aparece com proporções raras.

Três armadilhas da estratificada

5 · Fato ou fake — os erros que o corretor procura

Verdadeiro ✓ / falso ✗

Checklist de 60 segundos antes de entregar

  1. O plano é com ou sem reposição? Pus o (1−f) onde devia, e usei S2 (não σ2)?
  2. Pedem média, total ou proporção? Para o total, multipliquei estimativa e erro padrão por N.
  3. Usei o parâmetro (σ2) onde só tinha a estimativa (s2)? Em IC entra s2; em planejamento entra um S2 suposto.
  4. No cap. 4: os pesos são Wh=Nh/N, e a variância soma Wh2 (ao quadrado!).
  5. Declarei qual zα usei, e arredondei n para cima?
  6. Dá para conferir por outro caminho? (variância por (2.15) × enumeração; σd2+σe2=σ2; ∑πi=n.)

6 · Fórmulas de bolso

objetofórmulaonde vale
populaçãoS2=NN−1σ2; 0–1: σ2=PQsempre
resultado centralE[t]=E[f]τ; Var[t]=Var[f]NS2simétrico, tam. fixo
EQMVar+B2sempre
AAScVar[y¯]=σ2/n; E[s2]=σ2com reposição
AASsVar[y¯]=(1−f)S2/n; E[s2]=S2f=n/N
totalT=Ny¯, Var=N2Var[y¯]expansão
ICy¯±zα(1−f)s2/nn grande
n, médiaσ2/D (c/rep.); 1/(D/S2+1/N)D=B2/zα2
n, totalN/[ND/S2+1]idem
n, proporçãoN/[(N−1)D/(PQ)+1]; conservador PQ=1/4AASs
EPA AASs/AASc(N−n)/(N−1)mesmo n
decomposiçãoσ2=σd2+σe2qualquer partição
estratificaday¯es=∑Why¯h, Var=∑Wh2Var[y¯h]sorteios indep.
proporcionalVpr=σd2/n, nh=nWhAASc no estrato
Neymannh∝Whσh, Vot=(∑Whσh)2/ncustos iguais
com custonh∝Whσh/chC=c0+∑chnh
comparaçãoVot⩽Vpr⩽VcTeor. 4.4, (4.24)–(4.25)

Glossário de símbolos

N, ntamanho da população / da amostra
D, Uvetor de valores / conjunto de rótulos
τ, μ, Ptotal, média, proporção (parâmetros)
σ2, S2variância com divisor N / N−1
y¯, s2, pos mesmos, calculados na amostra
T, τ^estimador do total (Ny¯)
fi, δivezes que i entrou / indicador de i∈s
ffração amostral n/N (cuidado: não é fi)
πi, πijprobabilidades de inclusão de 1ª e 2ª ordem
B[t], EQMviés e erro quadrático médio
B, D, γerro máximo, B2/zα2, confiança
h, Whíndice do estrato, peso Nh/N
σd2, σe2variância dentro / entre estratos
Vc, Vpr, Votvariância da AASc / AE proporcional / ótima
EPAefeito do plano amostral: Var[plano]/Var[AASc]

Em R, o mínimo que resolve a lista

D <- c(12, 30, 18); N <- length(D); n <- 2
sig2 <- mean((D - mean(D))^2); S2 <- var(D)

# enumerar o plano
Sc <- expand.grid(rep(list(1:N), n))  # AASc: N^n
Ss <- combn(N, n)                     # AASs: C(N,n)
yb <- colMeans(matrix(D[Ss], n)); m <- ncol(Ss)
c(mean(yb), var(yb) * (m-1)/m, (1-n/N) * S2/n)
## [1] 20 14 14

# IC e tamanho de amostra (AASs)
ep  <- function(y, N) {
  n <- length(y); sqrt((1 - n/N) * var(y) / n) }
ic  <- function(y, N)
  mean(y) + c(-1, 1) * qnorm(.975) * ep(y, N)
tam <- function(S2, N, B, z = qnorm(.975))
  ceiling(1 / ((B/z)^2 / S2 + 1/N))

# estratificada: pesos, variancia, alocacoes
Nh <- c(3, 5); sh2 <- c(26/3, 46/5)
W  <- Nh / sum(Nh); n <- 4
ves <- function(nh) sum(W^2 * sh2 / nh)
ney <- n * W * sqrt(sh2) / sum(W * sqrt(sh2))
c(ves(c(2, 2)), ves(n * W), ves(ney))
## [1] 2.4063 2.2500 2.2495

Condensado de Bolfarine, H.; Bussab, W. O., Elementos de Amostragem, IME-USP (2004) / Blucher (2005), capítulos 1 a 4 (págs. 1–126), para estudo pessoal. Numeração de equações e resultados igual à do livro. Todos os valores numéricos foram recalculados; as divergências com o impresso estão anotadas nas aulas longas. Desenvolvimento completo, com as demonstrações e os exercícios resolvidos: cap. 1, cap. 2, cap. 3, cap. 4.