Menu · Bolfarine & Bussab · Capítulo 3 · págs. 61–92

Amostragem aleatória simples

O primeiro plano de verdade. Tudo aqui sai de uma pergunta: quantas vezes cada unidade da população entra na amostra?

Ao final você deve saber fazer
Como usar esta página

Um passo por vez. Cada um termina com uma pergunta — responda antes de abrir.

Os passos 2 a 7 são com reposição; 8 a 10 são sem. São a mesma conta duas vezes: se o primeiro bloco entrou, o segundo é rápido.

1 Dois sabores do mesmo sorteio

Passo 1 de 12

Todo mundo com a mesma chance. A única escolha é devolver ou não a unidade sorteada.

Essa escolha muda a variância pela metade no exemplo do capítulo. Não é detalhe.

com reposição — AASc sorteia · anota · devolve 9 amostras, 1/9 cada Var[ȳ] = 28 a mesma pessoa pode repetir sem reposição — AASs sorteia · anota · guarda 3 amostras, 1/3 cada Var[ȳ] = 14 ninguém entra duas vezes
Os dois planos na população de três domicílios, n=2. Mesmo esforço de campo, metade do erro.

No exemplo

AASc. Sorteio 2 vezes entre 3 domicílios, devolvendo. Cada sequência tem chance 1/32=1/9.

AASs. O mesmo, sem devolver. Sobram 3 pares: {12,30}, {12,18}, {30,18}, com 1/3 cada.

Em símbolos

AASc: P(s)=1/Nn para toda sequência de tamanho n.

AASs: P(s)=1/Nn entre as Nn não ordenadas.

Os dois são simétricos e de tamanho fixo — as duas hipóteses de (2.14)–(2.15).

Por que estudar a versão com reposição, se ninguém a usa

Porque as contas são mais simples e o resultado sem reposição sai do mesmo raciocínio, trocando uma distribuição. E porque, quando n é minúsculo diante de N, as duas coincidem na prática.

Nos dois planos, qual é a chance de um domicílio específico ser escolhido no primeiro sorteio?

1/N nos dois. O primeiro sorteio é idêntico.

A diferença aparece do segundo em diante — e é toda a diferença do capítulo.

2 Com reposição, fi é Binomial

Passo 2 de 12 · a única coisa nova do bloco AASc

Pergunte: quantas vezes o domicílio 2 entrou? São n tentativas independentes, cada uma com chance 1/N.

Isso é Binomial. E com a distribuição de fi na mão, (2.14)–(2.15) entregam o resto de graça.

Teorema 3.1

Na AASc, fi∼b(n;1/N), logo

E[fi]=nN,Var[fi]=nN(1−1N)(3.1)–(3.2)

E as probabilidades de inclusão, que agora exigem “pelo menos uma vez”:

πi=1−(1−1N)n(3.3)

Conferindo no exemplo

N=3, n=2:

E[fi]=2/3

πi=1−(2/3)2=5/9

Bate com a contagem do capítulo 2: 5 das 9 amostras contêm a unidade 1. ✓

Cuidado com a diferença

E[fi]=2/3≅0,67 — número médio de vezes.

πi=5/9≅0,56 — chance de entrar ao menos uma vez.

São diferentes porque fi pode valer 2.

Por que na AASc πi<n/N, enquanto na AASs os dois são iguais?

Porque n/N=E[fi] conta repetições. Com reposição, parte dessas “entradas” é a mesma pessoa voltando — e πi não conta isso duas vezes.

Sem reposição fi só pode ser 0 ou 1, então média e probabilidade coincidem.

3 Média, total, e o estimador expansão

Passo 3 de 12

Ponha Var[f] da Binomial dentro de (2.15) e a variância da média sai em duas linhas.

Resultado: σ2/n. Exatamente o que você já viu em inferência — e agora com σ2 significando a variância da lista.

  1. De (2.15): Var[t]=Var[f]NS2.
  2. Substitua: nN(1−1N)NS2=n(N−1)S2N.
  3. Mas (N−1)S2=Nσ2, então Var[t]=nσ2.
  4. Divida por n2: Var[y¯]=σ2/n. Pronto.
Média

Var[y¯]=σ2n

Teorema 3.3

Total

Var[T]=N2σ2n

Corolário 3.1

Ambos

E[y¯]=μ

não viesados

Por que “expansão”

T=Ny¯ pode ser reescrito assim:

T=ny¯+(N−n)y¯

A primeira parcela é o que você viu. A segunda é o que você não viu — e a estimativa para ela é a mesma média.

Guarde isto. Os capítulos 5 e 6 fazem só uma coisa: trocam esse y¯ da parte não observada por uma previsão melhor, usando uma variável auxiliar.

Uma população de 10 000 e uma de 100 têm o mesmo σ2. Com n=50 e AASc, qual estimativa é mais precisa?

Igualmente precisas. Var[y¯]=σ2/50 nas duas: N não aparece.

É o resultado que surpreende todo mundo — a precisão depende de quantos você entrevista, não da fração da população. (Sem reposição, o (1−f) faz a população pequena ficar um pouco melhor — passo 8.)

4 s2 estima σ2 — e é por isso que o denominador é n−1

Passo 4 de 12

A variância da amostra, com divisor n−1, acerta σ2 na média.

Isso fecha o circuito: dá para estimar a variância do estimador a partir da própria amostra.

Teorema 3.4 e Corolário 3.2
s2=1n−1∑i∈s(Yi−y¯)2,E[s2]=σ2(3.11)

Logo var[y¯]=s2/n e var[T]=N2s2/n são não viesados (3.12)–(3.13).

A demonstração é a única trabalhosa do capítulo, e vale ver de onde ela puxa as peças:

  1. Escreva (n−1)s2=sq2−t2/n, com sq2=∑Yi2 na amostra.
  2. E[sq2] vem de (2.18): dá nσ2+nμ2.
  3. E[t2] vem de (2.16): dá nσ2+n2μ2.
  4. Subtraia: E[(n−1)s2]=(n−1)σ2. Os termos em μ2 cancelam.

É aqui que as duas expressões “técnicas” do capítulo 2 pagam a viagem. Se você se perguntou para que serviam (2.16) e (2.18), a resposta é: para isto.

Na AASc, s2 estima σ2. Ele também estima S2?

Não. E[s2]=σ2, e S2=NN−1σ2 é maior.

Mas no plano sem reposição o mesmo s2 passa a estimar S2 (Teorema 3.9). Mesma fórmula, alvo diferente — depende do plano, como tudo neste livro.

5 O intervalo de confiança

Passo 5 de 12

Estimativa, mais ou menos zα erros padrão. Nada além disso.

O trabalho todo foi chegar ao erro padrão — o que os passos 3 e 4 fizeram.

  1. Calcule y¯ e s2 na amostra.
  2. Erro padrão: s2/n.
  3. Intervalo: y¯±zαs2/n (3.17).
  4. Para o total: multiplique tudo — centro e margem — por N.
Exemplo 3.2 — uma AASc de n=10 nos três domicílios

Valores sorteados: 12, 18, 12, 18, 18, 30, 12, 12, 18, 30.

  1. y¯=(4·12+4·18+2·30)/10=18
  2. s2=(4·36+4·0+2·144)/9=48
  3. erro padrão =48/10=2,19
  4. IC de 95%: 18±1,96×2,19=18±4,29 → (13,71; 22,29)

Contém μ=20. ✓ Repare que s2=48 ficou abaixo de σ2=56 — é uma amostra só; o não viés é sobre a média de todas.

y <- c(12, 18, 12, 18, 18, 30, 12, 12, 18, 30)
c(mean(y), var(y))
## [1] 18 48
mean(y) + c(-1, 1) * 1.96 * sqrt(var(y) / 10)
## [1] 13.70586 22.29414
O que significa “95% de confiança”? Que μ tem 95% de chance de estar em (13,71; 22,29)?

Não. μ=20 é constante: ou está no intervalo (está) ou não está.

A probabilidade é do procedimento, antes de sortear: em 95% das amostras possíveis, o intervalo construído assim contém μ. Nas outras 5% não — e você não tem como saber em qual caiu.

6 Quantos elementos sortear

Passo 6 de 12

Você escolhe o erro máximo B e a confiança. A fórmula devolve n.

O único ingrediente difícil é σ2, que você ainda não conhece.

  1. Exija P(|y¯−μ|⩽B)≃γ (3.18).
  2. Isso equivale a B=zασ/n (3.19)–(3.20).
  3. Defina D=B2/zα2 e resolva: n=σ2/D (3.21).
  4. Arredonde para cima.
De onde tirar σ2 antes de ter a amostra
Continuando o Exemplo 3.2

Quero erro máximo B=2 com γ=0,95, usando s2=48 como palpite:

D=222=0,5,n=480,5=96

96 é maior que N=3. Não é erro de conta: com reposição não existe teto. Você pode sortear 96 vezes numa população de três, e a variância σ2/96 continua positiva.

O livro usa zα≈2 nos tamanhos e 1,96 nos intervalos. Com 1,96 aqui daria n=93. Declare qual usou.

Você quer cortar o erro máximo pela metade. Quanto n precisa crescer?

Quatro vezes. D=B2/zα2, então metade de B é um quarto de D, e n=σ2/D quadruplica.

É a mesma n do exemplo eleitoral do capítulo 1: 100 → 400 → 1600 cortou a margem pela metade a cada passo.

7 Proporções são o mesmo com Yi valendo 0 ou 1

Passo 7 de 12

Nenhuma teoria nova. Só uma substituição: σ2=PQ.

E uma facilidade: PQ⩽1/4 sempre, o que permite planejar sem saber nada.

A substituição

Se Yi é 0/1, então Yi2=Yi, e

σ2=P(1−P)=PQ(3.22)

A média amostral vira a proporção amostral p=m/n.

Teorema 3.5

Var[P^]=PQn(3.24)
var[p]=P^Q^n−1

Repare no n−1 do estimador — vem de s2=nn−1pq (3.23).

IC

P^±zαP^Q^n−1

(3.25)

Tamanho

n=PQD

(3.27)

Conservador

n=14D

usa PQ=1/4

Exemplo 3.3 — quando n é pequeno demais

Na amostra do Exemplo 3.2, dois dos dez valores passam de 18: p=0,2.

0,2±1,960,2×0,89=0,2±0,26

Dá (−0,06; 0,46), que o livro imprime truncado em (0,00; 0,46). Um intervalo que vai de zero a quase metade não informa nada — e o limite negativo denuncia a causa: com n=10 a aproximação normal não vale para proporção pequena.

Por que o n conservador usa PQ=1/4, e não algum outro valor?

Porque P(1−P) é máximo em P=0,5, onde vale 0,25.

Usando o máximo, o n que sai é suficiente qualquer que seja P. Você paga em amostra a mais pela ignorância — mas nunca fica aquém da precisão prometida.

8 Sem reposição: onde nasce o (1−f)

Passo 8 de 12 · o passo que explica o capítulo inteiro

Sem reposição, fi só pode ser 0 ou 1. Deixa de ser Binomial e vira Bernoulli.

Troque a variância de uma pela da outra em (2.15) e o fator de correção aparece sozinho.

Teorema 3.7

Na AASs, fi=δi∼b(1;n/N), e

E[fi]=nN,Var[fi]=nN(1−nN),πi=nN

Agora ponha lado a lado. É a única diferença entre os dois planos:

com reposição Var[f] = (n/N)(1 − 1/N) sem reposição Var[f] = (n/N)(1 − n/N) divida uma pela outra (N − n) / (N − 1) é isto que a AASs ganha vale 1 quando n = 1, e 0 no censo
Nenhuma mágica: o (1−f) é só o que sobra quando fi troca de distribuição.
Fator de correção para populações finitas

(1−f)=(N−n)/N, com f=n/N a fração amostral.

Nos exemplos deste capítulo f vale 2/3 (três domicílios) ou 1/36 (os operários) — em um o fator é decisivo, no outro quase irrelevante.

Numa população de 200 000 eleitores, n=2000. Vale a pena carregar o (1−f)?

f=0,01, então (1−f)=0,99 e o erro padrão cai 0,99≅0,995 — meio por cento.

Não faz diferença prática. É por isso que pesquisa eleitoral não pergunta o tamanho do eleitorado: com f pequeno, só n importa.

9 Os estimadores sem reposição

Passo 9 de 12

As mesmas fórmulas dos passos 3 e 4, com duas trocas: entra (1−f), e σ2 vira S2.

O mesmo s2 continua servindo — só muda o que ele estima.

Teoremas 3.8 e 3.9, Corolários 3.3 a 3.5 — tudo o que muda está em negrito.
AASc (passos 3–4)AASs (aqui)
E[y¯]μμ
Var[y¯]σ2/n(1−f)S2/n
Var[T]N2σ2/nN2(1−f)S2/n
E[s2]σ2S2
estimador da variâncias2/n(1−f)s2/n
πi1−(1−1/N)nn/N
Cov[yi,yj]0 (independentes)−S2/N
Exemplo 3.4 — as seis amostras ordenadas de D=(12,30,18)

Sem reposição há três pares, cada um aparecendo em duas ordens. Agora quem manda é S2=84:

pary¯s2prob.
{12, 18}15181/3
{12, 30}211621/3
{30, 18}24721/3
  1. E[y¯]=(15+21+24)/3=20=μ ✓
  2. Var[y¯]=(25+1+16)/3=14
  3. Confira: (1−23)842=14 ✓
  4. E[s2]=(18+162+72)/3=84=S2 ✓ (na AASc esse mesmo s2 dava 56)
Y <- c(12, 30, 18)
p <- combn(3, 2)                    # os 3 pares
yb <- colMeans(matrix(Y[p], 2)); s2 <- apply(matrix(Y[p], 2), 2, var)
c(mean(yb), mean((yb - 20)^2), mean(s2))
## [1] 20 14 84
Por que na AASs os yi têm covariância negativa?

Porque se a primeira posição trouxe o valor alto, ele já não está disponível para a segunda. Tirar um valor grande do bolo empurra os outros para baixo.

Essa dependência é justamente o que reduz a variância da média — e é o motivo de o Teorema 3.6 (que supõe independência) precisar de uma versão própria, o Teorema 3.10.

10 Tamanho da amostra e proporções, sem reposição

Passo 10 de 12

Aqui o n ganha um teto: o censo.

O truque é escrever Var[y¯]=S2/n′ e inverter.

  1. Ponha n′=n/(1−f): a variância fica com a cara da AASc.
  2. A conta da AASc dá n′=S2/D.
  3. Inverta n′=n/(1−n/N) para isolar n.
Média

n=1DS2+1N

Total

n=NDNS2+1

(3.29)

Proporção

n=N(N−1)DPQ+1

(3.34)

O termo 1/N é o teto. Ele garante n<N sempre — ao contrário do passo 6, onde 96 > 3 era possível. Faz sentido: sem reposição, o máximo que se pode fazer é o censo, e aí o erro é zero.

Exemplos 3.5 a 3.7 — 1 000 operários de 36 000

Faltas não justificadas em 6 meses. Da amostra: y¯=1,296, s2=2,397, f=1/36.

  1. Erro padrão: 3536×2,3971000=0,0483
  2. IC da média: 1,296±1,96×0,0483 → (1,201; 1,391) faltas por operário
  3. Total: T=36000×1,296=46656; IC (43 250; 50 062) — é o IC da média vezes N
  4. Quantos para B=0,05? Com zα≈2, D=0,000625 e n≅3466
  5. Proporção com mais de 3 faltas: 88 em 1 000, p=0,088, IC (0,071; 0,105); para B=0,01, n≅2948

Repare no item 4: o termo 1/N=0,0000278 é dez por cento do outro termo. Numa população de 36 mil, corrigir ou não por finitude quase não muda n.

Você calcula n=4500 para uma população de N=3000. O que deu errado?

Você usou a fórmula com reposição. Sem reposição isso é impossível: n<N sempre.

Refaça com n=1/(D/S2+1/N). Se ainda der perto de 3 000, a resposta honesta é: faça o censo, porque a precisão pedida exige quase toda a população.

11 y¯ é o melhor que existe — dentro de uma classe

Passo 11 de 12

Entre os estimadores que são médias ponderadas dos valores observados e acertam μ na média, nenhum bate a média simples.

Vale nos dois planos. E a ressalva — “dentro de uma classe” — é o que abre os capítulos 5 e 6.

Definição 3.1 e Lema 3.1

Linear: y¯sℓ=∑ℓiyi, com os ℓi escolhidos antes de ver os dados.

Não viesado ⟺ ∑ℓi=1.

y¯ é o caso ℓi=1/n.

Teoremas 3.6 e 3.10

Com reposição (yi independentes):

Var=σ2{∑i(ℓi−1n)2+1n}(3.28)

Sem reposição (com covariância):

Var=S2(∑iℓi2−1N)(3.35)

Nos dois casos a conta é minimizada quando todos os ℓi são iguais. Em (3.28) é óbvio: o primeiro termo é uma soma de quadrados, e some quando ℓi=1/n. Em (3.35) a peça variável é ∑ℓi2, mínima sob ∑ℓi=1 quando todos coincidem.

Onde o “melhor” acaba

A otimalidade é dentro da classe linear. Fora dela existem estimadores melhores — quando você tem informação auxiliar.

Exemplo concreto: se você conhece o número total de trabalhadores da população, dá para usar isso e bater y¯. É o estimador razão do capítulo 5, e o regressão do 6.

Um colega propõe dar peso 2/n às cinco primeiras observações e 0 às outras n/2. É não viesado?

Depende dos números, mas o critério é só um: ∑ℓi=1. Se ele usa n/2 observações com peso 2/n cada, a soma dá 1 — então sim, é não viesado.

Mas é pior: pesos desiguais aumentam ∑ℓi2. Jogar fora metade da amostra dobra a variância — sem ganhar nada.

12 EPA — quanto custa repor

Passo 12 de 12

Para comparar dois planos, divida as variâncias. Esse número tem nome: efeito do planejamento.

Entre AASs e AASc ele vale (N−n)/(N−1) — e cai em linha reta.

EPA=Varplano[y¯]VarAASc[y¯],EPA[AASs]=N−nN−1
EPA da AASs — população de 100 n = 5 · 0,96 n = 50 · 0,51 n = 100 censo: zero 1 0
Linear em n. Sortear 5% da população economiza 5% de variância; sortear metade economiza metade.
EPA < 1

o plano é melhor que a AASc

EPA = 1

tanto faz

EPA > 1

o plano é pior — acontece, e o capítulo 4 mostra quando

Uma condição para o EPA fazer sentido: os dois estimadores têm de ser não viesados. Se um for viesado, compare EQM, não variância.

Para onde o EPA vai

No capítulo 4 ele mede o ganho da estratificação: 1−σe2/σ2, e no Exemplo 4.1 vale 0,40.

No capítulo 7 ele mede a perda dos conglomerados — lá o EPA costuma passar de 1, e o que se compra em troca é custo de campo.

Numa população de 6, n=2. Qual o EPA da AASs? E confere com os 28 e 14 do exemplo dos três domicílios?

(6−2)/(6−1)=0,8.

Nos três domicílios era (3−2)/(3−1)=1/2 — e de fato 14/28=0,5. ✓

Com N=6 o ganho é menor, porque a fração amostral caiu de 2/3 para 1/3.

✓ Fecho — agora feche a página

Escreva o capítulo de memória, de uma vez só

Papel, aba fechada, tudo o que lembrar — não passo por passo. Escrever o texto inteiro de uma vez lembra menos na hora e mais dois dias depois, e sai mais organizado.

Depois confira. O que não apareceu, releia só aquele passo.

  1. AASc e AASs: mesma chance para todos; muda só devolver ou não.
  2. Com reposição, fi é Binomial(n,1/N).
  3. Var[y¯]=σ2/n; T=Ny¯ é o estimador expansão.
  4. E[s2]=σ2 na AASc — via (2.16) e (2.18).
  5. IC: estimativa ±zα erros padrão; para o total, multiplique tudo por N.
  6. D=B2/zα2 e n=σ2/D; sem teto.
  7. Proporção: σ2=PQ; conservador usa 1/4.
  8. Sem reposição, fi é Bernoulli — daí o (1−f).
  9. Na AASs entra S2, e o mesmo s2 passa a estimá-lo.
  10. Agora n<N sempre: o termo 1/N é o teto.
  11. y¯ é ótima entre os lineares não viesados, com e sem independência.
  12. EPA da AASs =(N−n)/(N−1).
Se travou em algum item

Volte ao passo e refaça só a checagem, sem reler. Acertando, o problema era acesso e não entendimento.

Os itens 2 e 8 são o par mais importante: se você souber dizer qual distribuição fi tem em cada plano, todo o resto se reconstrói.

+ Exercícios resolvidos

Depois do fecho · treze exercícios, com a resposta comentada

Escolhi os que exercitam cada ideia uma vez: enumerar SAASs e SAASc numa população de seis (3.1 e 3.2), o IC e o tamanho de amostra com fator de finitude (3.4), dois estimadores “ajeitados” que batem y¯ ou não (3.5 com 3.41, e 3.6), a informação extra do segundo dentista (3.7), amostras reais da Tabela 2.8 com e sem reposição (3.9), a proporção numa população de seis (3.11), total de livros (3.16), os tamanhos de amostra para erro padrão, para N finito e para CV (3.17 e 3.18), a sugestão das 12 prateleiras (3.25) e os domicílios com idosos (3.27). Os teóricos 3.30 e 3.33 estão demonstrados no corpo da aula (Teoremas 3.7 e 3.9).

Exercício 3.1 — D=(8,2,2,11,4,7), AASs com n=2

(a) Distribuição de y¯; mostre que E[y¯]=μ. (b) Mostre que Var[y¯] é a do Corolário 3.4. (c) Distribuição de s2; mostre que E[s2]=S2.

População: τ=34, μ=17/3≈5,667, S2=196/15≈13,07, σ2=98/9≈10,89. As 15 amostras não ordenadas têm 1/15 cada.

y¯234,555,566,57,599,5
nº de amostras (×1/15)1222112211

(a) E[y¯]=(2+6+9+10+5,5+6+13+15+9+9,5)/15=85/15=17/3=μ. ✓ (b) Var[y¯]=E[y¯2]−μ2=196/45≈4,356, e o Corolário 3.4 dá (1−2/6)(196/15)/2=196/45. ✓ (c) Com n=2, s2=(Ya−Yb)2/2: vale 0 (par {2, 2}), 0,5, 2 (×2), 4,5 (×2), 8 (×2), 12,5 (×2), 18 (×2), 24,5, 40,5 (×2), e E[s2]=196/15=S2. ✓

D <- c(8, 2, 2, 11, 4, 7); S <- combn(6, 2)          # 15 amostras, 1/15 cada
ybar <- colMeans(matrix(D[S], 2)); s2 <- apply(matrix(D[S], 2), 2, var)
table(ybar)
## ybar
##   2   3 4.5   5 5.5   6 6.5 7.5   9 9.5
##   1   2   2   2   1   1   2   2   1   1
c(mean(ybar), mean(D), var(ybar) * 14 / 15, (1 - 2/6) * var(D) / 2, mean(s2), var(D))
## [1]  5.666667  5.666667  4.355556  4.355556 13.066667 13.066667

Exercício 3.2 — a mesma população com AASc

(a) Distribuição de y¯ e E[y¯]=μ. (b) Var[y¯] direto e por (3.9). (c) Uma AASc de n=10 deu y¯=5,435 e s2=3,6; IC para μ com α=0,02.

(a)–(b) Agora são 36 amostras ordenadas, 1/36 cada, e y¯ toma 14 valores (de 2, na amostra (2,2)… melhor: nos pares {2,2}, {2,3}, {3,2}, {3,3}, 4 amostras, até 11, só em (4,4)). A enumeração dá E[y¯]=17/3 e Var[y¯]=49/9≈5,444; por (3.9), σ2/2=(98/9)/2=49/9. ✓ Contra os 196/45 = 4,356 da AASs: EPA = (6−2)/5=0,8, e de fato 4,356/5,444=0,8.

(c) α=0,02 → zα=2,326. IC: 5,435±2,3263,6/10=5,435±1,396, ou (4,04; 6,83). Contém μ=5,67. (Uma amostra de 10 com reposição de 6 elementos tem quase certamente repetições — Exercício 3.43: a chance de não repetir é 6·5⋯1·0/610=0, pois n>N.)

S <- expand.grid(1:6, 1:6); ybar <- (D[S[, 1]] + D[S[, 2]]) / 2   # 36 amostras
c(mean(ybar), mean((ybar - mean(D))^2), var(D) * 5 / 6 / 2)
## [1] 5.666667 5.444444 5.444444
5.435 + c(-1, 1) * qnorm(0.99) * sqrt(3.6 / 10)
## [1] 4.039191 6.830809

Exercício 3.4 (com 3.13) — pessoas por residência: AASs de 30 em 14 848

Amostra: 5, 6, 3, 3, 2, 3, 3, 3, 4, 4, 3, 2, 7, 4, 3, 5, 4, 4, 3, 3, 4, 3, 3, 1, 2, 4, 3, 4, 2, 4. (a) Estime μ e a variância da estimativa. (b) IC de 90%. (c) Tamanho para uma estimativa duas vezes mais precisa. (3.13) Probabilidade aproximada de o total estimado errar por no máximo 100 pessoas; e de a porcentagem de domicílios com mais de dois residentes errar por no máximo 1%.

(a) y¯=104/30=3,467 pessoas, s2=1,499, f=30/14848=0,002 (desprezível): var[y¯]=(1−f)1,499/30=0,0499, erro padrão 0,223. (b) 3,467±1,645×0,223 = (3,10; 3,83). (c) “Duas vezes mais precisa” = metade do erro padrão = um quarto da variância. Como Var∝1/n (o fator de finitude é ≈ 1), n≈4×30=120; com a correção exata, n=1/(D/s2+1/N) com D=0,0499/4 dá 119,3 → 120.

(3.13a) T=14848×3,467=51473 pessoas, com erro padrão 14848×0,223=3315. Errar por no máximo 100 pessoas é |Z|⩽100/3315=0,030: probabilidade 2Φ(0,030)−1≈0,024. Praticamente nula — 100 pessoas em 51 mil é uma precisão de 0,2%, que 30 domicílios não dão. (3.13b) Mais de dois residentes: 25 dos 30, p=0,833, erro padrão 0,833×0,167/29=0,069; |Z|⩽0,01/0,069=0,145 → probabilidade ≈ 0,115. Também baixa. A lição: com n=30 a pergunta certa é “qual erro consigo?”, não “qual a chance de errar pouco?”.

d <- c(5,6,3,3,2,3,3,3,4,4,3,2,7,4,3,5,4,4,3,3,4,3,3,1,2,4,3,4,2,4)
N <- 14848; n <- 30; f <- n / N
v <- (1 - f) * var(d) / n
round(c(mean(d), var(d), v, sqrt(v)), 4)
## [1] 3.4667 1.4989 0.0499 0.2233
round(mean(d) + c(-1, 1) * qnorm(0.95) * sqrt(v), 3)          # (b)
## [1] 3.099 3.834
1 / ((v / 4) / var(d) + 1 / N)                                # (c)
## [1] 119.277
2 * pnorm(100 / (N * sqrt(v))) - 1                            # 3.13 (a)
## [1] 0.02406173

Exercícios 3.5 e 3.41 — o estimador “corrigido” y¯c

N=6, D=(1,4,5,5,6,6), AASs com n=2. Estimador: y¯c=y¯+1 se a amostra contém a unidade 1 e não a 6; y¯−1 se contém a 6 e não a 1; y¯ caso contrário. (a) Distribuições de y¯ e y¯c; são não viesados? (b) Variâncias; qual é melhor? (3.41) Verifique Var[y¯c]=(1−f){S2/n−2cN−1(YN−Y1−nc)}.

População: μ=4,5, S2=3,5. A ideia do estimador: a unidade 1 é atipicamente baixa e a 6 atipicamente alta; quando só uma delas entra, a média fica puxada, e o ajuste de ±1 compensa. Nas 15 amostras, y¯ vai de 2,5 a 6 e y¯c de 3,5 a 5,5:

valor2,533,544,555,56
y¯ (×1/15)122—2341
y¯c (×1/15)——23532—

(a) Os dois têm esperança 9/2=μ: ambos não viesados. (O ajuste +1 ocorre em 4 amostras — {1,2}, {1,3}, {1,4}, {1,5} — e o −1 em outras 4 — {2,6}, {3,6}, {4,6}, {5,6}; por simetria as correções se cancelam na esperança, seja qual for c.) (b) Var[y¯]=7/6≈1,167 (= (1−1/3)3,5/2) e Var[y¯c]=11/30≈0,367 — três vezes menor. y¯c é melhor. Isso não contradiz o Teorema 3.10: y¯c não é linear nos yi com pesos constantes — os pesos dependem de quais unidades caíram — e usa informação sobre a população (saber que Y1 é pequeno e Y6 grande). É a semente dos estimadores que usam variável auxiliar.

(3.41) Com c=1, n=2, YN−Y1=5: (2/3){3,5/2−(2/5)(5−2)}=(2/3)(1,75−1,2)=11/30. ✓ A fórmula diz que y¯c ganha de y¯ sempre que 0<c<(YN−Y1)/n=2,5, com o ganho máximo em c=1,25.

Exercício 3.6 — um estimador que fixa os extremos

Na população do 3.5, y¯st=(y1+y¯s2+y6)/3, em que y¯s2 é a média de uma AASs de 2 entre {2, 3, 4, 5}. Encontre Var[y¯st].

Só y¯s2 é aleatória: 6 pares de {4, 5, 5, 6}, com médias 4,5, 4,5, 5, 5, 5,5, 5,5 → Var[y¯s2]=1/6 (ou pela fórmula: S2 de {4,5,5,6} é 2/3, e (1−2/4)(2/3)/2=1/6). Logo Var[y¯st]=(1/6)/9=1/54≈0,019 — minúscula, porque observa 4 das 6 unidades e as duas extremas com certeza. Mas atenção: E[y¯st]=(1+5+6)/3=4≠4,5: é viesado, porque dá peso 1/3 a cada “estrato” quando os estratos têm 1, 4 e 1 unidades. O não viesado seria (Y1+4y¯s2+Y6)/6, com variância (4/6)2(1/6)=2/27 — é exatamente o y¯es do capítulo 4, e o erro de pesos é o estimador y¯m do Exercício 4.27.

Exercício 3.7 — dois dentistas e 200 crianças

D1 examina uma AASs de 20 crianças e conta dentes cariados: 0 (8 crianças), 1 (4), 2 (2), 3 (2), 4 (1), 5 (1), 9 (1), 10 (1). D2 examina todas as 200 e só anota se há cárie: 60 não têm nenhuma. Estime o total de dentes cariados (i) só com D1; (ii) com D1 e D2. (a) Qual é mais precisa? (b) Dá para estimar a variância?

(i) y¯=42/20=2,1 dentes por criança, T=200×2,1=420; s2=8,62, erro padrão 200(1−0,1)8,62/20=124,6.

(ii) D2 revela que 140 crianças têm cárie e 60 não. As 60 contribuem zero com certeza; o total é τ=140μc, em que μc é a média entre as que têm cárie. Na amostra de D1, 12 crianças têm cárie, com média 42/12=3,5: τ^=140×3,5=490. As 12 são (condicionalmente ao seu número) uma AASs das 140 cariadas, então s2=9,55 e o erro padrão é 140(1−12/140)9,55/12=119,4.

(a) A (ii) é um pouco mais precisa (119 contra 125) e, mais importante, usa a informação de D2 para corrigir a proporção: a amostra de D1 tinha 60% com cárie, a população tem 70% — daí 490 contra 420. É a lógica da pós-estratificação (e do estimador razão do cap. 5: τ^=X·y¯/x¯ com X=140 crianças cariadas conhecidas). (b) Sim, como acima; em (ii) a variância é condicional a terem caído 12 cariadas na amostra — o que é o procedimento padrão da pós-estratificação, com um termo extra pequeno se se quiser levar em conta a aleatoriedade do 12.

Exercício 3.9 — amostras da Tabela 2.8, com e sem reposição

Da população de 180 condomínios (Y = apartamentos alugados): (a) selecione AASc de tamanhos 10 e 20 e construa IC de 95% para μ; (b) com a de 20, o tamanho para uma estimativa duas vezes mais precisa; (c) estimativa pontual e por intervalo para a proporção de condomínios com mais de 3 [apartamentos alugados], e o tamanho para dobrar a precisão; (d) refaça com AASs.

O que se sabe e o exercício finge não saber: μ=18,68, σ2=407,5, S2=409,7, P(Y>3)=133/180=0,739. Sorteei os índices com reposição (semente 2004 em Python; os índices estão no código, então tudo abaixo é reproduzível):

# Y: o vetor de 180 valores do Exercício 2.2 (cap. 2)
i10 <- c(53, 89, 99, 116, 120, 125, 128, 137, 165, 174)
i20 <- c(1, 6, 10, 13, 17, 25, 31, 34, 63, 68, 83, 99, 105, 110, 111, 112,
         127, 128, 129, 148)
ic <- function(y, N = Inf) {                      # N = Inf: com reposição; N = 180: sem
  n <- length(y); ep <- sqrt((1 - n / N) * var(y) / n)
  round(c(ybar = mean(y), s2 = var(y), ep = ep, mean(y) + c(-1, 1) * 1.96 * ep), 2)
}
ic(Y[i10]); ic(Y[i20])                            # (a) AASc
##  ybar    s2    ep
##  7.30 34.01  1.84  3.69 10.91
##   ybar     s2     ep
##  20.25 323.99   4.02  12.36  28.14
ic(Y[i10], 180); ic(Y[i20], 180)                  ## (d) AASs
##  ybar    s2    ep
##  7.30 34.01  1.79  3.79 10.81
##   ybar     s2     ep
##  20.25 323.99   3.79  12.81  27.69
p <- mean(Y[i20] > 3); ep <- sqrt(p * (1 - p) / 19); round(c(p, ep, p + c(-1, 1) * 1.96 * ep), 3)
## [1] 0.850 0.082 0.689 1.011

(a) A amostra de 20 dá (12,4; 28,1), que contém μ. A de 10 dá (3,7; 10,9), que não contém μ=18,7: o sorteio caiu em 10 condomínios pequenos (a tabela está grosso modo ordenada e os índices sorteados ficaram todos acima de 50). Não é erro de conta — é o que “95% de confiança” significa: 5% dos intervalos erram, e com n=10 numa população tão assimétrica (S2=410 para uma média de 19) a aproximação normal ainda é ruim e a taxa real de erro passa dos 5%. (b) Metade do erro padrão: 4×20=80 na AASc; na AASs, n=1/(D/s2+1/180) com D=3,792/4 dá exatamente 60. (c) p=17/20=0,85, IC (0,69; 1,01) — truncado em 1; a AASs encolhe o erro padrão para 0,077. Dobrar a precisão: 80 (AASc) ou 58 (AASs). (d) Os erros padrão sem reposição são 1−f vezes os com reposição: 0,944=0,97 para n=10 e 0,889=0,94 para n=20 — pouco, porque f é pequeno.

Exercício 3.11 — proporção numa população de seis, AASs com n=4

D=(0,0,1,1,1,1). (a) Distribuição de y¯; é não viesado para P? (b) Sugira um estimador de Var[y¯] e verifique se é não viesado.

(a) P=2/3. Das 15 amostras de 4, o número de “uns” é hipergeométrico: 2 uns (as duas zeros na amostra) em (22)(42)=6 amostras, 3 uns em 2×4=8, 4 uns em 1. Logo y¯ vale 0,5, 0,75, 1 com probabilidades 6/15, 8/15, 1/15, e E[y¯]=(3+6+1)/15=2/3=P. ✓ Var[y¯]=1/45; pela fórmula, (1−4/6)S2/4 com S2=65·23·13=415: (1/3)(4/15)/4=1/45. ✓

(b) O da seção 5.5: var[p]=(1−f)pq/(n−1)=pq/9. Vale 1/36 (p = 0,5), 1/48 (0,75) e 0 (p = 1); esperança 615·136+815·148=190+190=145. Não viesado, como o Corolário 3.5 garante — e note que na amostra com p=1 o estimador dá variância zero, um lembrete de que “não viesado” é propriedade da média sobre as amostras, não de cada uma.

Exercício 3.16 — quantos livros de Estatística há nas 130 prateleiras?

AAS de 15 prateleiras: 28, 25, 23, 33, 31, 18, 22, 29, 30, 22, 26, 20, 21, 28, 25. (a) IC para o total T. (b) Tamanho para que, com 95%, o erro em T seja inferior a 100 livros.

(a) y¯=25,4, s2=19,26, f=15/130. T=130×25,4=3302 livros, erro padrão 130(1−0,115)19,26/15=138,5, IC de 95% (3 030; 3 574). (b) Por (3.29) com D=(100/1,96)2=2603 e s2 no lugar de S2: n=130/[2603/(130×19,26)+1]=63,7 → 64 prateleiras, quase metade da seção. Sem a correção de finitude seriam N2s2/D=125 — quase o censo; é o caso em que o bom senso do capítulo 1 (“se pede mais da metade, faça o censo”) começa a valer.

b <- c(28, 25, 23, 33, 31, 18, 22, 29, 30, 22, 26, 20, 21, 28, 25); N <- 130; n <- 15
Tt <- N * mean(b); ep <- N * sqrt((1 - n / N) * var(b) / n)
round(c(Tt, ep, Tt + c(-1, 1) * 1.96 * ep))
## [1] 3302  139 3030 3574
D <- (100 / 1.96)^2; N / (D / (N * var(b)) + 1)
## [1] 63.73153

Exercícios 3.17 e 3.18 — erro padrão, população finita e coeficiente de variação

(3.17) Renda média de Pepira ≈ 10 SM, desvio padrão ≈ 5 SM. (a) Tamanho para erro padrão de y¯ igual a 0,5; suposições? (b) E se N=20000? N=1000? (c) Tamanho para CV[y¯]<5%. (3.18) Duas doenças, incidências ≈ 50% e ≈ 1%. Tamanho para erro padrão de 0,5% em cada caso; e para CV de 5%. Que lição fica?

(3.17a) EP=σ/n=0,5 → n=25/0,25=100. Suposições: AASc (ou população grande), e que o palpite “5 SM” é σ. (b) Com N finito o erro padrão é (1−f)S2/n, e n=1/(0,25/25+1/N): 99,5 → 100 para 20 000 (nada muda) e 90,9 → 91 para 1 000 (a finitude economiza 9%). (c) CV=EP/μ=0,05 → EP=0,5: é o mesmo problema, n=100. Só que agora a resposta depende do palpite para μ também.

(3.18) Erro padrão fixo de 0,005: n=PQ/0,0052 = 10 000 para P=0,5 e 396 para P=0,01 — a doença rara pede uma amostra 25 vezes menor. CV fixo de 5%: EP=0,05P, n=Q/(0,052P) = 400 para 50% e 39 600 para 1% — inverteu, por um fator de 100. A lição: erro absoluto favorece proporções pequenas (a variância PQ é pequena); erro relativo as pune (o erro tem de ser pequeno em relação a algo já pequeno). Antes de fixar n, decida qual dos dois o usuário da pesquisa realmente quer — para uma doença rara, quase sempre é o relativo.

Exercício 3.25 — bastam 12 prateleiras para o estoque?

Valores das 36 prateleiras (R$): 29, 38, 42, 44, 45, 47, 51, 53, 53, 54, 56, 56, 58, 58, 59, 60, 60, 60, 60, 61, 61, 61, 62, 64, 65, 67, 67, 68, 69, 71, 72, 74, 74, 77, 82, 85. Erro inferior a R$ 200 no total, com 95%, é aceitável. Alguém sugeriu AAS de 12 prateleiras. Concorda?

Aqui a população inteira é dada, então S2 é conhecida: τ=2163, μ=60,08, S2=143,45 (S=11,98). Com n=12 em AASs, o erro máximo de 95% para o total é B=1,96×36(1−1/3)143,45/12=199,2. Pela fórmula (3.29), o mínimo é n=36/[(200/1,96)2/(36×143,45)+1]=11,94 → 12. Concordo, por um triz — e com duas ressalvas. Primeira: a conta usa a S2 verdadeira, que só se conhece porque o armazém inteiro já foi levantado; num armazém novo, um piloto que estimasse S2 um pouco maior já pediria 13 ou 14. Segunda: o objetivo é o total da empresa, com vários armazéns; se as prateleiras variam mais entre armazéns do que dentro, o certo é estratificar por armazém (capítulo 4), e a AAS de 12 num só não responde a pergunta.

Exercício 3.27 — domicílios com moradores idosos em Pepira

AAS de 60 dos 621 domicílios: 11 têm pelo menos um morador com mais de 65 anos. (a) Estime P e o erro padrão. (b) Tamanho para erro de no máximo 8 pontos percentuais.

(a) p=11/60=0,183; f=60/621=0,097; EP=(1−f)·0,183×0,817/59=0,048. Em domicílios: 621×0,183=114, com erro padrão 30. (b) B=0,08, D=(0,08/1,96)2=0,001666; por (3.34) com pq=0,150: n=621/[620×0,001666/0,150+1]=78,6 → 79 domicílios; o conservador (PQ=1/4) daria 121. Como já se tem n=60, faltam 19 — e o erro atual, 1,96×0,048=0,094, já não está longe dos 0,08 pedidos.

N <- 621; n <- 60; p <- 11 / 60; f <- n / N
ep <- sqrt((1 - f) * p * (1 - p) / (n - 1)); round(c(p, ep, N * p, N * ep), 3)
## [1]   0.183   0.048 113.850  29.733
D <- (0.08 / 1.96)^2; c(N / ((N - 1) * D / (p * (1 - p)) + 1), N / (4 * (N - 1) * D + 1))
## [1]  78.61958 121.01461

Sobre esta versão. Mesmo conteúdo do capítulo 3 de Bolfarine & Bussab (págs. 61–92), reorganizado em doze passos curtos, cada um com o caso numérico antes do símbolo e uma pergunta de recuperação no fim. Todos os valores foram recalculados. Duas observações sobre o impresso: o livro usa zα≈2 nos tamanhos de amostra e 1,96 nos intervalos (Ex. 3.2 dá 96 com 2 e 93 com 1,96; Ex. 3.6 dá 3 466 e 3 341), e o limite inferior do IC do Exemplo 3.3 é −0,06, impresso truncado em 0,00.