Menu · Bolfarine & Bussab · Capítulo 4 · págs. 93–126

Amostragem estratificada

Dividir a população em grupos e sortear dentro de cada um. O ganho tem nome, tem fórmula, e dá para calcular antes de ir a campo.

Ao final você deve saber fazer
Como usar esta página

Um passo por vez, e responda a pergunta antes de abrir a resposta.

Os passos 1 a 5 montam o estimador. Os 6 a 10 são sobre como repartir a amostra, que é onde o capítulo realmente vive.

1 Por que estratificar

Passo 1 de 12

Se você já sabe que a população tem grupos bem diferentes entre si, sortear às cegas desperdiça essa informação.

Fixando quantos vêm de cada grupo, você elimina de uma vez a variação entre os grupos.

Exemplo 4.1 — oito domicílios, e a população do capítulo inteiro
domicílio12345678
renda Yi1317651012196
regiãoBABBBAAB

μ=11, σ2=24. Com AASc de n=4: Var[y¯]=24/4=6,00.

estrato A — região alta 17 12 19 média 16 · variância 8,67 estrato B — região baixa 13 6 5 10 6 média 8 · variância 9,2 16 contra 8 — é esta distância que a estratificação aproveita
Os estratos são homogêneos por dentro e bem diferentes por fora. É a situação ideal.

Sorteando 2 de cada estrato — o mesmo n=4 — e combinando com pesos:

y¯es=3y¯A+5y¯B8,Var=964(4,33)+2564(4,6)≅2,41
Sem estratificar

6,00

AASc, n=4

Estratificando

2,41

2 de cada estrato

EPA

0,40

menos da metade do erro

Quando não ajuda — Exemplo 4.2

Divida a mesma população pela metade da lista: U1={1,2,3,4} e U2={5,6,7,8}. As médias ficam 10,25 e 11,75 — quase iguais.

Resultado: Var≅5,86 e EPA ≅ 0,98. Ganho nenhum.

A regra. Estratificar só ajuda se a variável usada para dividir estiver associada à variável de interesse. Região e renda estão; posição na lista não está.

Você vai pesquisar consumo de energia e pode estratificar por CEP ou pela inicial do sobrenome. Qual escolhe, e por quê?

CEP. Bairro está associado a renda, tipo de imóvel e consumo — as médias por estrato vão diferir.

Inicial do sobrenome é o Exemplo 4.2 disfarçado: cada estrato seria uma cópia em miniatura da população, com as mesmas médias. Você teria o trabalho da estratificação sem nenhum ganho.

2 Índices duplos, e o peso Wh

Passo 2 de 12

Cada unidade ganha dois índices: de que estrato, e qual dentro dele.

E a média da população é a média ponderada das médias dos estratos — nunca a média simples.

No exemplo

Estrato A tem NA=3, estrato B tem NB=5, N=8.

WA=3/8, WB=5/8.

μ=38(16)+58(8)=11 ✓

A média simples de 16 e 8 daria 12. Errado.

Em símbolos

Partição: U=∪Uh, Uh∩Uh′=ϕ (4.1).

Peso: Wh=Nh/N, com ∑Wh=1.

τ=∑hτh,μ=∑hWhμh
A hipótese escondida

Tudo isto exige Nh conhecido antes do sorteio. Sem saber quantos domicílios há em cada região, não há Wh e não há estimador.

Se você só descobre os grupos depois de sortear, isso é pós-estratificação ou domínio — outra coisa, com outra variância.

Dois estratos: N1=900 com μ1=10, N2=100 com μ2=50. Qual é μ?

0,9×10+0,1×50=9+5=14.

Não 30. O estrato pequeno tem média alta, mas pesa 10%. Esse é o erro mais comum do capítulo.

3 A variância se parte em duas

Passo 3 de 12 · o resultado que explica o capítulo

Toda a variação da população se separa em: variação dentro dos estratos + variação entre as médias deles.

A estratificação elimina a segunda parcela. Só ela, e ela inteira.

(4.3)–(4.4)
σ2=∑hWhσh2+∑hWh(μh−μ)2=σd2+σe2

Vale para qualquer divisão da população — é identidade algébrica, não resultado de amostragem.

No Exemplo 4.1

Dentro — média das variâncias:

0,375×8,67+0,625×9,2=9,0

Entre — variância das médias, em torno de 11:

0,375×52+0,625×32=15,0

Soma: 24 ✓

A demonstração, em uma linha

Escreva Yhi−μ=(Yhi−μh)+(μh−μ) e eleve ao quadrado.

O termo cruzado some: dentro do estrato h, ∑(Yhi−μh)=0.

Sobram os dois quadrados. É a mesma conta da soma de quadrados de uma ANOVA.

a variância total da população σ² = 24 dentro: 9,0 entre: 15,0 sobra — é o que você paga some — é o que você ganha
Estratificando bem, os 15,0 “entre” desaparecem da variância do estimador. Os 9,0 “dentro” continuam lá.
Se todos os estratos tivessem a mesma média, quanto valeria σe2? E o ganho?

σe2=0, porque cada (μh−μ) seria zero.

Então σ2=σd2 e o ganho é nenhum. É exatamente o Exemplo 4.2.

4 O estimador, e as três hipóteses que ele pede

Passo 4 de 12

Estime a média de cada estrato como quiser, e combine com os pesos Wh.

O teorema é surpreendentemente generoso: não exige AAS dentro dos estratos.

As três hipóteses — o livro as lista antes do enunciado
  1. (a) a população está estratificada, com Nh conhecidos;
  2. (b) de cada estrato sorteia-se independentemente uma amostra de tamanho nh — podendo usar planos diferentes em cada um;
  3. (c) μ^h é não viesado para μh sob o plano daquele estrato.

É (b) que faz a variância sair sem termos cruzados. E é o “podendo usar planos diferentes” que dá ao teorema o alcance que ele tem.

Teorema 4.1 e Corolário 4.1
Tes=∑hNhμ^h,y¯es=∑hWhμ^h

Os dois são não viesados, e

Var[y¯es]=∑hWh2Var[μ^h]

Repare no quadrado. O peso entra ao quadrado na variância e sem quadrado na média — é (4.6)–(4.7), a regra de sempre para combinação linear de variáveis independentes.

Por que não aparece covariância entre estratos na fórmula da variância?

Pela hipótese (b): os sorteios são independentes de um estrato para outro.

Se você sorteasse de forma ligada — por exemplo, “se saiu o domicílio 2 no estrato A, então sorteio o 5 no B” — haveria covariância, e a fórmula perderia a validade.

5 AASc dentro dos estratos

Passo 5 de 12

Escolhido o plano mais simples dentro de cada estrato, a variância vira uma soma de σh2/nh com pesos ao quadrado.

É esta fórmula que você vai minimizar nos passos 6 a 10.

Corolário 4.2

Hipóteses: as do Teorema 4.1, e AASc em cada estrato, com μ^h=y¯h.

Var[y¯es]=∑h=1HWh2σh2nh,var[y¯es]=∑hWh2sh2nh

Com AASs em cada estrato, troque σh2/nh por (1−fh)Sh2/nh, com fh=nh/Nh. É o capítulo 3 aplicado estrato por estrato.

Conferindo o 2,41 do passo 1

nA=nB=2:

(38)28,672+(58)29,22=0,61+1,80=2,41
Y  <- c(13, 17, 6, 5, 10, 12, 19, 6)
h  <- c("B","A","B","B","B","A","A","B")
sig2 <- function(x) mean((x - mean(x))^2)
Nh <- table(h); W <- as.numeric(Nh / sum(Nh))
s2 <- as.numeric(tapply(Y, h, sig2))
sum(W^2 * s2 / c(2, 2))
## [1] 2.40625
Por que o peso entra ao quadrado na variância?

Porque Var[aX]=a2Var[X]. É (4.7), a regra de sempre.

Consequência prática: um estrato com peso pequeno contribui muito pouco para a variância — (1/10)2=1/100. Por isso não adianta encher de amostra um estrato minúsculo.

6 A alocação muda tudo

Passo 6 de 12

Decidido n, ainda falta a pergunta cara: quantos de cada estrato?

Trocar a repartição, com o mesmo n e a mesma população, pode cortar 29% da variância.

Exemplo 4.4 — mesma amostra, duas repartições

Outra divisão da mesma população: U1={2,4,7} com S12≅57,3 (muito heterogêneo) e U2 com 5 unidades e S22=10,8. AASs em ambos, n=3.

alocaçãon1n2parcela 1parcela 2Var
AL1125,371,276,64
AL2211,343,384,72

6,64/4,72≅1,41: a AL2 reduz a variância em 29%, de graça.

Por quê. A AL2 manda mais amostra para o estrato mais variável — S12=57 contra 11 — mesmo sendo o estrato menor.

A intuição que vai virar fórmula

Amostre mais onde há mais o que descobrir. Um estrato homogêneo já se revela com poucas unidades; um estrato bagunçado precisa de mais.

Isso, balanceado pelo tamanho do estrato, é a alocação de Neyman do passo 9.

Um estrato tem variância zero (todos iguais). Quantas unidades você sorteia dele?

Uma. Ela já revela o valor de todos — a média do estrato fica conhecida exatamente.

Qualquer unidade a mais é desperdício: use-a em outro estrato. Neyman formaliza isso com nh∝Whσh, que dá zero quando σh=0.

7 Alocação proporcional

Passo 7 de 12

Reparta n como a população está repartida. Estrato com 30% da população recebe 30% da amostra.

É a “amostra representativa” do senso comum — e aqui, pela primeira vez, com nome e variância calculada.

No exemplo

n=4, WA=0,375:

nA=4×0,375=1,5

nB=4×0,625=2,5

Vpr=9/4=2,25

Melhor que os 2,41 da alocação 2/2, que não era exatamente proporcional.

Teorema 4.2

Com nh=nWh (4.8), acontecem duas coisas:

1. y¯es=y¯ — a média simples da amostra toda já é o estimador certo. Os pesos cancelam.

2. A variância fica com uma cara memorável:

Vpr=σd2n(4.9)
O que (4.9) quer dizer

A AE proporcional equivale a fazer uma AASc numa população cuja variância fosse σd2 em vez de σ2.

Ou seja: você ganha exatamente σe2/n — nada mais, nada menos. No exemplo, 15/4=3,75, e de fato 6,00−2,25=3,75. ✓

Outro efeito da proporcional: a fração amostral fica a mesma em todos os estratos, fh=n/N. Todo mundo tem a mesma chance de entrar — o que torna a análise e a comunicação mais simples.

Qual a grande vantagem prática da proporcional sobre a de Neyman?

Ela não precisa de σh. Só de Nh, que você já tem por definição (hipótese (a)).

Neyman exige saber a variabilidade de cada estrato antes de coletar — o que quase nunca se sabe direito. É por isso que a proporcional é o padrão na prática.

8 Alocação uniforme

Passo 8 de 12 · o passo mais curto

O mesmo número em cada estrato, independentemente do tamanho.

Não é para estimar a média global com precisão — é para estimar cada estrato com a mesma precisão.

Corolário 4.3

Com nh=k=n/H:

Vun=∑hWh2σh2k

Quando usar: pesquisa que precisa publicar um número por região, e não só o total do país. Se a região pequena recebesse amostra proporcional, o número dela sairia com erro grande demais para publicar.

É o caso da alocação 2/2 do passo 1 — que deu 2,41, um pouco pior que os 2,25 da proporcional. Você paga um pouco na média global para poder falar de cada estrato.

Cinco estratos de tamanhos 1000, 50, 50, 50 e 50. Alocação uniforme com n=250. Faz sentido?

Para a média global, não: o estrato de 1000 tem Wh=0,83 e domina a variância, mas receberia só 50 unidades.

Para relatar cada estrato, sim: os quatro pequenos ganham 50 cada e saem com erro utilizável. É uma escolha entre dois objetivos, não um erro.

9 Alocação ótima, e o caso de Neyman

Passo 9 de 12

Amostre mais onde o estrato é grande, variável e barato.

Os três fatores aparecem literalmente na fórmula, um em cada lugar.

Teorema 4.3 — alocação ótima com custos

Hipóteses: as do Corolário 4.2, e custo linear C=c0+∑chnh (4.10).

nh=nWhσh/ch∑Wkσk/ck(4.12)

Ela resolve os dois problemas ao mesmo tempo: minimiza a variância com orçamento dado, e minimiza o custo com precisão dada.

Wh

estrato grande pesa mais na média — merece mais amostra

σh

estrato bagunçado precisa de mais observações

1/ch

estrato caro merece menos — cada unidade custa mais

Por que — Cauchy–Schwarz em três linhas

Minimizar ∑ah2/nh com ∑nh=n, onde ah=Whσh. Escreva ah=ahnhnh e aplique a desigualdade:

(∑hah)2⩽(∑hah2nh)n

Logo ∑ah2/nh⩾(∑ah)2/n, com igualdade só quando nh∝ah.∎

Corolário 4.5 — Neyman

Se o custo por unidade é o mesmo em todos os estratos, o ch cancela:

nh=nNhσh∑Nkσk,Vot=σ¯2n(4.20)–(4.21)

com σ¯=∑Whσh, um desvio padrão médio dentro dos estratos.

E o tamanho total, quando o que está fixado é o orçamento (4.18) ou a precisão (4.19):

n=(C−c0)∑Nhσh/ch∑Nhσhch(4.18)

Cuidado ao copiar (4.19) do livro: ela sai impressa com os dois fatores iguais a ∑Whσh/ch. É gralha — um deles leva ch no numerador.

Entrevistar no estrato rural custa 4× o urbano. Como isso muda a alocação?

O fator é 1/ch, então o rural recebe 1/4=1/2 do que receberia se custasse igual.

Metade, não um quarto. A raiz suaviza a penalização — vale a pena pagar caro por alguma informação rural, só não por muita.

10 As três variâncias em fila

Passo 10 de 12 · o resultado que resume o capítulo

Ótima ⩽ proporcional ⩽ sem estratificar. Nunca ao contrário — desde que a alocação seja uma dessas duas.

E as duas diferenças têm nome: uma é a variação entre médias, a outra é a variação entre desvios.

Teorema 4.4
Vot⩽Vpr⩽Vc

com Vc=σ2/n (AASc), Vpr=σd2/n (4.22) e Vot=σ¯2/n (4.21). As diferenças:

Vpr−Vot=1n∑hWh(σh−σ¯)2=σdp2n(4.24)
Vc=Vot+σe2n+σdp2n(4.25)

A leitura: a AASc paga dois pedágios.

Um porque as médias dos estratos diferem — a proporcional já elimina esse. Outro porque os desvios diferem — só a ótima elimina esse.

Exemplo 4.1, mesmo n = 4 Vc 6,00 — sem estratificar Vpr 2,25 — proporcional Vot 2,2495 — ótima a diferença entre as duas últimas é 0,0005
O salto grande é a estratificação. Neyman refina, mas aqui rende quase nada — porque σA=2,94 e σB=3,03 são quase iguais, e é exatamente isso que (4.24) prevê.
As quatro contas do Exemplo 4.1 com n=4, lado a lado.
plano(nA,nB)VarEPA
AASc, sem estratificar—6,001,00
AE uniforme(2 ; 2)2,410,40
AE proporcional(1,5 ; 2,5)2,250,375
AE ótima (Neyman)(1,47 ; 2,53)2,24950,375
Quando vale a pena o trabalho extra de estimar σh e usar Neyman?

Quando os desvios padrão dos estratos são muito diferentes — é o que (4.24) diz: o ganho é σdp2/n, a variabilidade entre os desvios.

Caso típico: estratos por tamanho de empresa. As grandes têm faturamento muito mais disperso que as pequenas, e Neyman manda muito mais amostra para lá. No Exemplo 4.1 os desvios eram quase iguais, então não rendeu.

11 Intervalo de confiança e tamanho da amostra

Passo 11 de 12

O IC é o de sempre, com a variância do passo 5 e sh2 no lugar de σh2.

O tamanho da amostra tem uma pegadinha: você precisa decidir a forma da alocação antes de achar n.

y¯es±zα∑h=1HWh2sh2nh(4.30)
Por que a alocação vem antes do n

A variância depende dos nh individualmente, não só da soma. Há infinitas maneiras de repartir um mesmo n, com variâncias diferentes.

A saída: escreva nh=nwh com os wh fixados, e aí sobra um n só para resolver.

Com proporcional

n=σd2D(4.31)

Compare com a AASc, n=σ2/D.

Com Neyman

n=σ¯2D

Para o total, use D/N2 no lugar de D.

A economia de amostra é a razão σd2/σ2. No Exemplo 4.1: 9/24=0,375. Para a mesma precisão, a estratificada precisa de 37,5% da amostra que a AASc precisaria.

Uma AASc precisaria de n=1600. Com estratificação proporcional e σe2/σ2=0,3, quantos bastam?

σd2/σ2=1−0,3=0,7, então n=0,7×1600=1120.

480 entrevistas a menos, pela mesma precisão — só por ter usado a informação de estrato que você já tinha.

12 Proporções, e quando estratificar perde

Passo 12 de 12

Proporção é a mesma teoria com σh2=PhQh.

E há duas maneiras de a estratificação não compensar — vale conhecer as duas.

Teoremas 4.5 e 4.6

Hipóteses: AE com reposição nos estratos, Yhi valendo 0 ou 1.

pes=∑hWhP^h,Ves=∑hWh2PhQhnh(4.32)

Estimador da variância com nh−1 no denominador, e Neyman vira

nh=nNhPhQh∑NkPkQk(4.33)

Como PQ varia pouco para P entre 0,2 e 0,8 (de 0,40 a 0,50), Neyman e proporcional quase coincidem em proporções moderadas. A diferença só aparece com proporções raras.

12.1 Os dois jeitos de não compensar

Não ganha nada

Se σe2=0, o EPA é 1:

EPA[AEpr]=1−σe2σ2

É o Exemplo 4.2: médias iguais, ganho zero. Você teve o trabalho e não levou nada.

Perde de verdade

Com alocação arbitrária (pesos wh=nh/n quaisquer):

EPA=∑hWhWhwh(σhσ)2(4.27)

Isto pode passar de 1. Basta um estrato grande e variável receber amostra pequena.

Mais uma armadilha: a média simples da amostra estratificada

y¯m=∑(nh/n)y¯h é viesada para μ, a menos que nh/n=Wh.

Use sempre os pesos da população (Wh), nunca os da amostra. É só na alocação proporcional que os dois coincidem — e é por isso que lá a média simples funciona.

Essa ideia vira peso amostral nos capítulos 8 e 9.

Dois estratos iguais em tamanho. O estrato 1 tem σ1 três vezes maior. Você aloca 1/4 da amostra nele. Melhor ou pior que a AASc?

Você está fazendo o contrário do certo: mandando menos amostra para o estrato mais variável.

Em (4.27), o termo desse estrato tem Wh/wh=0,5/0,25=2 multiplicando um (σ1/σ)2 grande. O EPA passa de 1 — estratificar assim é pior que não estratificar.

✓ Fecho — agora feche a página

Escreva o capítulo de memória, de uma vez só

Papel, aba fechada, tudo o que lembrar — não passo por passo. Sai menos na hora e mais dois dias depois, e mais organizado.

Depois confira. O que não apareceu, releia só aquele passo.

  1. Estratificar ajuda quando a variável de divisão está associada à de interesse.
  2. Wh=Nh/N, conhecido antes; μ=∑Whμh (ponderada!).
  3. σ2=σd2+σe2; a estratificação elimina σe2.
  4. Teorema 4.1: (a) Nh conhecidos, (b) sorteios independentes, (c) μ^h não viesado.
  5. Com AASc no estrato: Var=∑Wh2σh2/nh — peso ao quadrado.
  6. A alocação importa: 6,64 contra 4,72 no Exemplo 4.4.
  7. Proporcional: nh=nWh, Vpr=σd2/n, e y¯es=y¯.
  8. Uniforme: para estimar cada estrato igual, não a média global.
  9. Ótima: nh∝Whσh/ch — grande, variável, barato.
  10. Vot⩽Vpr⩽Vc; os dois pedágios são σe2 e σdp2.
  11. Para achar n, fixe a alocação antes; a economia é σd2/σ2.
  12. Proporções: σh2=PhQh; com alocação ruim, (4.27) passa de 1.
Se travou em algum item

Volte ao passo e refaça só a checagem, sem reler.

Os itens 3 e 10 são o eixo: quem souber a decomposição sabe dizer, sem conta nenhuma, se vale a pena estratificar e quanto se ganha.

+ Exercícios resolvidos

Depois do fecho · quinze exercícios, com a resposta comentada

Escolhi: a população de cinco estratos com as três alocações (4.1, e 4.5 sem reposição), os problemas de alocação com variância ou desvio padrão fixados (4.3, 4.4), o estimador y¯m (4.6, com os teóricos 4.27 e 4.34), alocações desiguais no Exemplo 4.2 (4.7), a proporção com amostra piloto (4.8), a Tabela 2.8 estratificada (4.9), a enumeração completa de AASs × AEun na população de oito (4.10), alfabetização com CV fixado e custos (4.13), a AE proporcional das indústrias (4.14), as fazendas de leite (4.19), a partilha ótima de 10% (4.21) e o custo da alocação uniforme (4.24). Os teóricos 4.29, 4.30 e 4.31 estão demonstrados no corpo da aula.

Exercícios 4.1 e 4.5 — cinco estratos, três alocações, com e sem reposição

hNhμhSh2
11177,31,31
2986,92,03
37411,21,13
4419,11,96
5459,61,74

(a) μ e σ2. (b) Para n=80, as alocações proporcional e ótima. (c) Compare as variâncias com AASc e com AE ótima. (d) Idem com a proporcional. (4.5) Refaça com AASs dentro dos estratos.

A tabela dá Sh2; as fórmulas com AASc usam σh2=Nh−1NhSh2 — a conversão muda a segunda casa. N=375, Wh=0,312,0,261,0,197,0,109,0,120.

(a) μ=∑Whμh=8,438; por (4.4), σ2=σd2+σe2=1,564+2,738=4,301. Repare: a variância entre é quase o dobro da dentro — os estratos têm médias bem distintas (6,9 a 11,2) e são internamente homogêneos. É o cenário ideal para estratificar.

(b) Proporcional: 80Wh=24,96,20,91,15,79,8,75,9,60 → 25, 21, 16, 9, 9. Neyman, 80Nhσh/∑Nhσh: 22,9,23,9,13,4,9,7,10,1 → 23, 24, 13, 10, 10. O estrato 2 (mais variável) ganha amostra; o 3 (menos variável) perde.

(c)–(d) Vc=σ2/80=0,0538; Vpr=σd2/80=0,0195; Vot=σ¯2/80=0,0193. EPA: 0,364 (proporcional) e 0,359 (ótima). A estratificação corta a variância a pouco mais de um terço; a alocação ótima quase não acrescenta — porque os desvios padrões (1,14 a 1,42) são parecidos e σdp2 é minúscula. Exatamente a leitura de (4.25).

(4.5) Sem reposição, Var[y¯es]=∑Wh2(1−nh/Nh)Sh2/nh com as alocações arredondadas: 0,0156 (proporcional) e 0,0153 (Neyman). A AASs de 80 daria (1−80/375)S2/80=0,0424. As frações amostrais (80/375=21%) já são grandes o bastante para o fator de finitude valer a pena: 20% a menos de variância em cada plano.

Nh <- c(117, 98, 74, 41, 45); mu <- c(7.3, 6.9, 11.2, 9.1, 9.6)
S2 <- c(1.31, 2.03, 1.13, 1.96, 1.74); N <- sum(Nh); W <- Nh / N
sig2 <- S2 * (Nh - 1) / Nh; sig <- sqrt(sig2); n <- 80
m <- sum(W * mu); sd2 <- sum(W * sig2); se2 <- sum(W * (mu - m)^2)
round(c(m, sd2, se2, sd2 + se2), 4)                    # (a)
## [1] 8.4379 1.5635 2.7376 4.3011
rbind(prop = n * W, neyman = n * Nh * sig / sum(Nh * sig))     # (b)
##          [,1]  [,2]  [,3] [,4]  [,5]
## prop   24.96 20.91 15.79 8.75  9.60
## neyman 22.90 23.86 13.42 9.74 10.08
Vc <- (sd2 + se2) / n; Vpr <- sd2 / n; Vot <- sum(W * sig)^2 / n
round(c(Vc, Vpr, Vot, Vpr / Vc, Vot / Vc), 4)          # (c), (d)
## [1] 0.0538 0.0195 0.0193 0.3635 0.3587

Exercício 4.3 — três metas de precisão, dois estratos

W1=0,8, σ1=2; W2=0,2, σ2=4; AASc. Ache n1,n2 tais que: (a) o desvio padrão de y¯es é 0,1 e n é mínimo; (b) o desvio padrão da média de cada estrato é 0,1; (c) o desvio padrão da diferença entre as médias é 0,1.

(a) Minimizar n com Ves=0,01 fixa é o Corolário 4.4(ii) com custo constante: Neyman, n=(∑Whσh)2/Ves=(1,6+0,8)2/0,01=576, repartidos na proporção Whσh = 1,6 : 0,8 → n1=384, n2=192. (Conferindo: 0,64·4/384+0,04·16/192=0,01.) (b) σh2/nh=0,01 → 400 e 1 600: a meta por estrato ignora os pesos e exige muito mais do estrato pequeno e variável. (c) Var[y¯1−y¯2]=σ12/n1+σ22/n2=0,01 com n mínimo: é Neyman com pesos iguais (nh∝σh), n=(σ1+σ2)2/0,01=3600 → 1 200 e 2 400. Três objetivos, três alocações: a “melhor” depende do que se quer estimar.

Exercício 4.4 — poupança: proporção e quantia com o mesmo desenho

AE com reposição; de uma pesquisa passada, Wh=0,6,0,3,0,1; Ph=0,20,0,40,0,60 (têm poupança); σh=9,18,52 (quantia). Com custo constante, os menores n e nh tais que (a) a proporção tenha erro padrão 0,02; (b) a quantia média tenha erro padrão R$ 2. Qual usar?

(a) Neyman para proporções: σh=PhQh=0,40,0,49,0,49; ∑Whσh=0,436; n=0,4362/0,022=475,2 → 476, com nh∝Whσh → 262, 160, 54. (b) ∑Whσh=5,4+5,4+5,2=16; n=162/4=64 → 22, 22, 20. Qual usar? A pesquisa tem os dois objetivos, então o desenho tem de atender ao mais exigente: n=476 com a alocação de (a). Com ela, a quantia média fica com erro padrão ∑Wh2σh2/nh=0,36·81/262+0,09·324/160+0,01·2704/54=0,89, bem abaixo dos R$ 2 pedidos. Repare que as duas alocações ótimas são diferentes (a proporção pede 262/160/54; a quantia, quase uniforme, 22/22/20, porque o estrato 3 tem σh enorme): com vários objetivos, nenhuma alocação é ótima para todos — um compromisso, como o proporcional, costuma ser a saída.

Exercícios 4.6, 4.27 e 4.34 — o estimador y¯m e o seu viés

(4.27) Mostre que y¯m=∑(nh/n)y¯h (4.35) é viesado para μ, a não ser que nh/n=Nh/N. (4.34) Encontre o seu EQM. (4.6) Na população do Exemplo 4.1 com U1={1,2,4,7}, U2={3,5,6,8} e AASc de 2 em cada, encontre Var[y¯es] e EQM[y¯m]. Qual é melhor?

(4.27) Com wh=nh/n, E[y¯m]=∑whμh, enquanto μ=∑Whμh. O viés é B=∑(wh−Wh)μh, que é zero para toda população só se wh=Wh (pode zerar por coincidência se as μh forem iguais). y¯m é simplesmente a média da amostra toda, y¯: ignorar os pesos é tratar a amostra estratificada como se fosse AAS. (4.34) EQM=Var+B2=∑wh2σh2/nh+B2=1n∑whσh2+[∑(wh−Wh)μh]2 — e o viés não cai com n.

(4.6) D1=(13,17,5,19), μ1=13,5, σ12=28,75; D2=(6,10,12,6), μ2=8,5, σ22=6,75. Var[y¯es]=14·28,752+14·6,752=4,44. E y¯m? Aqui n1/n=n2/n=1/2=W1=W2: a alocação é proporcional, y¯m=y¯es exatamente, viés zero e EQM=4,44. Empate — é o caso do Teorema 4.2. Para ver a diferença, mude para n1=3, n2=1: y¯es continua não viesado com variância 1428,753+146,751=4,08, mas y¯m passa a ter viés (0,75−0,5)13,5+(0,25−0,5)8,5=1,25 e EQM=14(0,75·28,75+0,25·6,75)+1,252=5,81+1,56=7,37. Pesos errados custam caro.

Exercício 4.7 — alocações 1/3 e 3/1 nos estratos do Exemplo 4.2

Estratos do Exemplo 4.2 (σ12=24,69, σ22=22,19, Wh=1/2), AASc. E[y¯es] e Var[y¯es] com (a) n1=1, n2=3; (b) n1=3, n2=1.

E[y¯es]=11 nos dois casos — o Teorema 4.1 não depende da alocação. (a) 14(24,69/1+22,19/3)=8,02. (b) 14(24,69/3+22,19/1)=7,60. Ambas piores que a uniforme 2/2 (5,86) e que a AASc de 4 (6,00): com estratos de mesmo tamanho e variâncias parecidas, qualquer desequilíbrio só perde — o EPA (4.27) passa de 1 (1,34 e 1,27). É o contraexemplo que a seção 4.5 anunciou.

Exercício 4.8 — proporção com amostra piloto: AASc, proporcional e ótima

Wh=0,5,0,3,0,2; piloto: P^h=0,52,0,40,0,60. (a) Variância estimada com AASc de 600. (b) Tamanho da AE proporcional com a mesma variância. (c) Com esse n, a repartição ótima e sua variância. (d) Conclusões.

(a) P=∑WhPh=0,26+0,12+0,12=0,50; Vc=0,25/600=0,000417. (b) Vpr=∑WhPhQh/n=0,2448/n; igualando a 0,000417, n=587,5 → 588 (294, 176, 118). (c) Neyman com PhQh=0,4996,0,4899,0,4899: 297, 175, 116, Vot=0,000416. (d) A estratificação economiza 12 entrevistas em 600 (2%), e a alocação ótima é indistinguível da proporcional. Motivo: as proporções dos estratos (0,40 a 0,60) estão perto de 1/2, então σe2=∑Wh(Ph−P)2=0,0052 é minúscula frente a PQ=0,25, e os PhQh são quase iguais. Para proporções moderadas, estratificar serve para as subpopulações e para a administração, não para a precisão. Compare com o 4.13.

Exercício 4.9 — a Tabela 2.8 em três estratos de 60

(a) AASc de n=54: y¯ e Var[y¯]. (b) Estratos = unidades 1–60, 61–120, 121–180; AASc de 18 em cada: y¯es e Var[y¯es]. (c) Compare.

Como a população é conhecida, as variâncias verdadeiras se calculam sem sortear nada: σ2=407,5, logo Var[y¯]=407,5/54=7,55. Os estratos pela ordem da lista: μh=28,6,20,8,6,7 e σh2=544,8,326,3,105,1 — a tabela está grosso modo em ordem decrescente, então cortá-la em terços estratifica de verdade (σe2=82,1, σd2=325,4). Var[y¯es]=19·544,8+326,3+105,118=6,03: EPA = 0,80. As estimativas de uma realização (índices sorteados com semente 2004, listados no código): y¯=14,8 (a AASc caiu pesada nos índices altos, os condomínios pequenos) e y¯es=19,9, para μ=18,7. A estratificação impede exatamente esse tipo de azar: garante 18 unidades de cada terço da lista.

# Y: o vetor do Exercício 2.2. Variâncias verdadeiras:
sig2 <- function(x) mean((x - mean(x))^2); h <- rep(1:3, each = 60)
c(sig2(Y) / 54, sum((1/3)^2 * tapply(Y, h, sig2) / 18))
## [1] 7.545777 6.026267
# uma realização (índices sorteados com reposição, semente 2004):
i54 <- c(1,6,6,10,13,17,25,25,27,31,34,53,53,54,56,63,63,68,68,72,76,76,77,
         83,89,96,99,99,101,105,110,111,112,112,116,120,121,125,126,127,127,
         128,128,129,135,137,148,150,151,158,164,165,167,174)
s1 <- c(2,5,19,19,22,23,31,31,34,35,35,43,47,48,50,55,57,57)
s2 <- c(66,68,69,78,79,84,89,90,97,102,105,110,111,114,115,117,119,120)
s3 <- c(122,126,126,127,128,132,135,136,139,142,145,152,155,168,172,175,179,180)
c(mean(Y[i54]), mean(c(mean(Y[s1]), mean(Y[s2]), mean(Y[s3]))))
## [1] 14.77778 19.87037

Exercício 4.10 — AASs × AE uniforme, enumeradas por completo

Na população do Exemplo 4.1: (a) construa SAASs com n=4 e a distribuição de y¯; (b) com n1=n2=2 (uniforme, AASs em cada estrato), construa SAEun e a distribuição de y¯es; (c) compare.

(a) (84)=70 amostras, 1/70 cada; y¯ toma 29 valores, de 6,75 (amostra {3, 4, 5, 8}: 6, 5, 10, 6) a 15,25 ({1, 2, 6, 7}: 13, 17, 12, 19), com E[y¯]=11 e Var[y¯]=24/7=3,43 — confere com (1−4/8)S2/4, S2=192/7. (b) (32)(52)=30 amostras, 1/30 cada, y¯es=38y¯A+58y¯B: 18 valores, de 8,875 a 13,9375, E=11, Var=423/256=1,65 — confere com 964(1−23)132+2564(1−25)11,52 (com SA2=13, SB2=11,5). (c) As duas distribuições têm a mesma média (não viés); a estratificada é muito mais concentrada — amplitude 5,1 contra 8,5, EPA = 1,65/3,43 = 0,48. A AE simplesmente proíbe as 40 amostras “desbalanceadas” (três ou quatro unidades do mesmo estrato) que a AASs permite, e são elas que produzem os extremos.

Y <- c(13, 17, 6, 5, 10, 12, 19, 6); A <- c(2, 6, 7); B <- c(1, 3, 4, 5, 8)
ya <- colMeans(matrix(Y[combn(8, 4)], 4))                       # (a) 70 amostras
yA <- colMeans(matrix(Y[A][combn(3, 2)], 2)); yB <- colMeans(matrix(Y[B][combn(5, 2)], 2))
yes <- as.vector(outer(3/8 * yA, 5/8 * yB, "+"))                # (b) 3 x 10 = 30 amostras
c(length(ya), mean(ya), mean((ya - 11)^2), length(yes), mean(yes), mean((yes - 11)^2))
## [1] 70.000000 11.000000  3.428571 30.000000 11.000000  1.652344

Exercício 4.13 — alfabetização: CV fixado, Neyman e custos

100 mil pessoas em 4 grupos etários: Nh=25000,20000,40000,15000; proporção de alfabetizados Ph=0,50,0,30,0,10,0,01. (a) Tamanho da AE proporcional para CV do estimador de 10%, e a alocação (1/N≃0). (b) Compare com a ótima, mesmo n e custo unitário. (c) Custos 9, 4, 4, 1 e orçamento R$ 1 725: alocação ótima.

(a) P=∑WhPh=0,125+0,06+0,04+0,0015=0,2265. CV 10% → erro padrão 0,02265, variância-alvo V=0,000513. Vpr=∑WhPhQh/n=0,14199/n → n=276,8 → 277, alocados 277Wh = 69, 55, 111, 42. (b) Neyman com PhQh=0,500,0,458,0,300,0,0995: 98, 72, 95, 12. O estrato dos 50+ (1% alfabetizados, quase nenhuma variabilidade) cai de 42 para 12 entrevistas; os jovens sobem. Vot=0,000446 contra Vpr=0,000513: 13% a menos — aqui os PhQh variam de 0,10 a 0,50 e Neyman compensa (compare com o 4.8). (c) Teorema 4.3: nh∝Whσh/ch=0,0417,0,0458,0,0600,0,0149, e (4.18) com C′=1725 dá n=344,5: 88, 97, 127, 32 (custo 9·88+4·97+4·127+32=1720, dentro do orçamento; variância 0,000383). O estrato caro (jovens, custo 9) perde amostra para os baratos.

Nh <- c(25000, 20000, 40000, 15000); P <- c(.5, .3, .1, .01); W <- Nh / sum(Nh)
Pg <- sum(W * P); V <- (0.1 * Pg)^2; n <- sum(W * P * (1 - P)) / V
round(c(Pg, V, n), 4); round(n * W, 1)                        # (a)
## [1]   0.2265   0.0005 276.7617
## [1]  69.2  55.4 110.7  41.5
s <- sqrt(P * (1 - P)); round(277 * W * s / sum(W * s), 1)   # (b)
c(sum(W * s)^2 / 277, sum(W * P * (1 - P)) / 277)
## [1] 98.5 72.2 94.5 11.8
## [1] 0.0004462307 0.0005125812
cc <- c(9, 4, 4, 1); k <- W * s / sqrt(cc)                    # (c)
nC <- 1725 * sum(k) / sum(W * s * sqrt(cc)); round(nC * k / sum(k), 1)
## [1]  88.4  97.2 127.3  31.7

Exercício 4.14 — empregados por indústria, AE proporcional

hFaturamentoNhnhy¯hSh2
1Baixo4 000200801 600
2Médio-baixo10 0005001802 500
3Médio-alto5 4002702702 500
4Alto600304005 600

(a) Estime μ e τ. (b) As variâncias dos estimadores. (c) Com custos ch=3+h, a partição ideal das 1 000 unidades (use as variâncias amostrais como populacionais). (d) Se as 1 000 fossem AAS, qual seria a variância? Compare.

N=20000, fh=0,05 em todos (é proporcional). (a) y¯es=0,2·80+0,5·180+0,27·270+0,03·400=190,9 empregados; Tes=3818000. (Com alocação proporcional, y¯es é a média simples das 1 000 — Teorema 4.2.) (b) AASs nos estratos: var[y¯es]=∑Wh2(1−0,05)Sh2/nh=2,29 (erro padrão 1,51 empregados); var[Tes]=N2×2,29, erro padrão 30 281. (c) nh∝WhSh/ch com custos 4, 5, 6, 7: 186, 519, 256, 39 — quase a proporcional, porque os Sh (40 a 75) e os custos variam pouco; o estrato alto ganha de 30 para 39. (d) A AAS de 1 000 veria a variância total S2≃Sd2+σe2=2413+5520=7933, logo (1−0,05)7933/1000=7,54. Razão 2,29/7,54 = 0,30: o faturamento explica 70% da variância do número de empregados, e a estratificação captura tudo isso.

Nh <- c(4000, 10000, 5400, 600); nh <- c(200, 500, 270, 30)
yh <- c(80, 180, 270, 400); S2 <- c(1600, 2500, 2500, 5600)
N <- sum(Nh); W <- Nh / N; yes <- sum(W * yh)
v <- sum(W^2 * (1 - nh / Nh) * S2 / nh)
c(yes, N * yes, v, sqrt(v), N * sqrt(v))                       # (a), (b)
## [1]     190.90000 3818000.00000       2.29235       1.51405   30281.01716
a <- W * sqrt(S2) / sqrt(3 + 1:4); round(1000 * a / sum(a), 1)  # (c)
## [1] 185.7 519.0 255.9  39.4
S2all <- sum(W * S2) + sum(W * (yh - yes)^2)                   # (d)
c(S2all, (1 - 0.05) * S2all / 1000, v / ((1 - 0.05) * S2all / 1000))
## [1] 7933.1900000    7.5365305    0.3041652

Exercício 4.19 — vacas leiteiras: total, IC e a alocação que deveria ter sido

Quatro categorias de fazendas, Nh=72,37,50,11; amostra de 28 fazendas, proporcional. Vacas: estrato 1 — 61, 47, 44, 70, 28, 39, 51, 52, 101, 49, 54, 71; estrato 2 — 160, 148, 89, 139, 142, 93; estrato 3 — 26, 21, 19, 34, 28, 15, 20, 24; estrato 4 — 17, 11. (a) Estime o total de vacas e dê um IC de 90%. (b) Com custos iguais, qual seria a alocação ótima?

(a) Médias por estrato 55,6, 128,5, 23,4 e 14,0; sh2=351,897,35,18. Tes=∑Nhy¯h=4002+4754,5+1168,8+154=10079 vacas; var[Tes]=∑Nh2(1−fh)sh2/nh, erro padrão 555; IC de 90%: 10079±1,645×555 = (9 166; 10 992). Mais de 80% da variância vem do estrato 2 (grandes fazendas de leite, sh=30, só 6 na amostra). (b) Neyman, nh∝Nhsh=1349,1108,298,47: 13,5,11,1,3,0,0,5 → 13, 11, 3, 1: quase dobra o estrato 2 e reduz os estratos 3 e 4, homogêneos, ao mínimo. (Um estrato com nh=1 não permite estimar sh2; na prática fixa-se um mínimo de 2.)

d <- list(c(61,47,44,70,28,39,51,52,101,49,54,71), c(160,148,89,139,142,93),
          c(26,21,19,34,28,15,20,24), c(17,11))
Nh <- c(72, 37, 50, 11); nh <- sapply(d, length); yh <- sapply(d, mean); s2 <- sapply(d, var)
Tt <- sum(Nh * yh); ep <- sqrt(sum(Nh^2 * (1 - nh / Nh) * s2 / nh))
round(c(Tt, ep, Tt + c(-1, 1) * qnorm(0.95) * ep))
## [1] 10079   555  9166 10992
round(28 * Nh * sqrt(s2) / sum(Nh * sqrt(s2)), 1)                # (b)
## [1] 13.5 11.1  3.0  0.5

Exercício 4.21 — partilha ótima de uma amostra de 10%

Nh=2500,850,130; Sh=8,24,80. (a) Numa AE de 10% da população, a partilha ótima. (b) Compare a variância da média com a de uma AAS com S=18.

(a) N=3480, n=348. NhSh=20000,20400,10400: nh=137,140,71. O estrato 3 tem 3,7% da população e leva 20% da amostra; a fração amostral nele é 71/130=55% — quase um censo do estrato mais variável, que é o que Neyman recomenda quando um estrato pequeno domina a variância. (b) Com AASs nos estratos, Vot=∑Wh2(1−fh)Sh2/nh=0,490; a AASs de 348 com S2=324 dá (1−0,1)324/348=0,838: EPA = 0,58. (O S=18 dado inclui a variância entre médias, que o enunciado não fornece; por isso não dá para separar quanto do ganho é σe2 e quanto é σdp2 — mas com desvios de 8 a 80, o segundo termo é grande.)

Exercício 4.24 (teórico) — quanto custa a alocação uniforme

Dois estratos, alocação uniforme por conveniência administrativa. Mostre que (Vun−Vot)/Vot=(r−1r+1)2 (4.34), com r=n1/n2 da alocação ótima; avalie para o 4.3(a). AASc.

Chame a=W1σ1 e b=W2σ2; na alocação ótima nh∝Whσh, logo r=a/b. Com n1=n2=n/2, Vun=2n(a2+b2); por (4.21), Vot=1n(a+b)2. Então

Vun−VotVot=2a2+2b2−(a+b)2(a+b)2=(a−b)2(a+b)2=(r−1r+1)2.∎

No 4.3(a), r=384/192=2: a uniforme custa (1/3)2=11% a mais de variância (0,0111 contra 0,0100 com n=576). A fórmula diz que o preço da conveniência é pequeno enquanto r fica entre 1/2 e 2, e explode quando um estrato deveria receber muito mais que o outro (r=10: 67%).

Sobre esta versão. Mesmo conteúdo do capítulo 4 de Bolfarine & Bussab (págs. 93–126), reorganizado em doze passos curtos, cada um com o caso numérico antes do símbolo e uma pergunta de recuperação no fim. Todos os valores foram recalculados. Duas observações sobre o impresso: a fórmula (4.19) sai com os dois fatores iguais a ∑Whσh/ch, e o correto leva ch no numerador de um deles; e o Exemplo 4.1 fornece Sh2 enquanto as fórmulas com reposição pedem σh2 — a conversão é por (Nh−1)/Nh.