Menu · Bolfarine & Bussab · Capítulo 2 · págs. 37–60

Definições e notações básicas

O capítulo que dá nome a tudo. São doze ideias, e a última — duas fórmulas — sustenta os capítulos 3 e 4 inteiros.

Ao final você deve saber fazer
Como usar esta página

Um passo por vez. Cada passo cabe numa tela e termina com uma pergunta. Responda antes de abrir. Errar e conferir fixa mais do que reler.

No fim há um fecho: fechar a página e escrever de memória o capítulo inteiro. Parece pior na hora — e rende mais depois.

1 A população é uma lista de números fixos

Passo 1 de 12

Aqui a população não é um modelo de probabilidade. É uma lista de números que já existem.

O acaso entra só no sorteio. Isso separa este curso de toda a inferência que você já viu.

No exemplo

Três domicílios. A renda de cada um:

12  30  18

Esses três números não vão mudar. A renda do domicílio 2 é 30.

Em símbolos

U={1,2,3} — os rótulos.

Yi — o valor da unidade i.

D=(12,30,18) — o parâmetro populacional.

θ(D) — qualquer conta feita com a lista inteira.

a população inteira — nada aqui é aleatório 12 30 18 i = 1 i = 2 i = 3 D = (12, 30, 18)
A população do Exemplo 2.1. Ela reaparece em quase todo o capítulo — vale decorar.

A mesma população tem outras variáveis: idade (20,30,40), nº de trabalhadores (1,3,2). Cada uma dá o seu D.

E θ pode ser qualquer coisa: a média das idades é 30; a renda por trabalhador é (12+30+18)/(1+3+2)=10. Guarde esse 10 — ele volta no passo 10.

A renda 30 do domicílio 2 é uma variável aleatória?

Não. É uma constante. Ninguém sorteou aquele 30.

O que é aleatório é qual domicílio entra na amostra. Por isso as letras maiúsculas (Yi) são fixas e as minúsculas (yi, o que você observa na posição i da amostra) é que são aleatórias.

2 Quatro parâmetros, e um par que confunde

Passo 2 de 12

Total, média, e duas variâncias diferentes.

As duas variâncias existem porque uma aparece na amostragem com reposição e a outra sem.

Comece pela conta que os dois compartilham. Chame de SQ a soma dos quadrados dos desvios em torno da média:

SQ=(12−20)2+(30−20)2+(18−20)2=168
Total

τ=∑iYi

12+30+18 = 60

Média

μ=τ/N

60/3 = 20

Variância, divisor N

σ2=SQN

168/3 = 56

Variância, divisor N−1

S2=SQN−1

168/2 = 84

Mesmo SQ, divisores diferentes. É só isso que separa as duas. Logo:

S2=NN−1σ2
A regra prática, e é só isto

Com reposição → σ2. Sem reposição → S2.

Não tente entender agora por quê. Isso é o passo 11. Por ora, decore o par.

Mais dois nomes, que são casos particulares:

Y <- c(12, 30, 18)
c(sum(Y), mean(Y), mean((Y - mean(Y))^2), var(Y))
## [1] 60 20 56 84
A população é (2, 4, 6, 8). Quanto valem σ2 e S2?

μ=5. Desvios: −3, −1, 1, 3 → soma dos quadrados =20.

σ2=20/4=5 e S2=20/3≅6,67.

Confere com S2=43×5. ✓

3 Amostra é uma sequência, não um conjunto

Passo 3 de 12

A ordem conta. A repetição também.

Parece detalhe de notação. É o que permite tratar com e sem reposição com a mesma máquina.

No exemplo

Sorteio duas vezes, repondo. Posso tirar:

(1,2) — primeiro o Ada, depois o Beto.

(2,1) — o contrário. É outra amostra.

(1,1) — o Ada duas vezes. Também vale.

Em símbolos

Definição 2.1. Amostra ordenada é qualquer sequência

s=(k1,…,kn),ki∈U

Definição 2.4. S(U) é o conjunto de todas elas, de qualquer tamanho.

Com N=3 e n=2, quantas amostras ordenadas existem? E sem repetir rótulo?

9 ordenadas: 32. São (1,1), (1,2), (1,3), (2,1), (2,2), (2,3), (3,1), (3,2), (3,3).

6 sem repetir rótulo (3×2), que correspondem a 3 pares distintos se a ordem também for ignorada: {1,2}, {1,3}, {2,3}.

4 Onde mora o acaso: fi e δi

Passo 4 de 12 · o passo mais importante do capítulo

Duas variáveis contam o que o sorteio fez com cada unidade da população.

Com elas, toda soma sobre a amostra vira uma soma sobre a população — e aí dá para calcular esperança.

No exemplo

Sorteei s=(2,2,1).

Quantas vezes cada um entrou?
unidade 1: uma vez · unidade 2: duas · unidade 3: nenhuma

Logo f=(1,2,0).

Quem entrou, sim ou não?
δ=(1,1,0).

Em símbolos

Definição 2.2.

fi(s) = número de vezes que i aparece em s.

δi(s)={1,i∈s0,i∉s

Sem reposição os dois coincidem: fi=δi.

Agora o movimento que vale o capítulo. O total da amostra pode ser escrito de duas formas:

soma sobre a amostra ∑i ∈ s Yi 3 parcelas mas quais, é sorteio = soma sobre a população ∑i = 1N fi Yi N parcelas, sempre as mesmas o acaso está todo aqui dentro (2.11)
À esquerda não dá para tirar esperança: não se sabe quais termos entram. À direita dá: os Yi são constantes e saem para fora do E.
Com D=(12,30,18) e s=(2,2,1), calcule t(s) pelas duas fórmulas.

Pela amostra: 30+30+12=72.

Pela população: 1×12+2×30+0×18=72. ✓

Mesmo número, contas diferentes. A segunda é a que serve para a teoria.

5 Dois tamanhos diferentes

Passo 5 de 12

n(s) conta sorteios. ν(s) conta pessoas diferentes.

Com reposição eles diferem, e é por isso que sortear com reposição desperdiça informação.

No exemplo

s=(2,2,1): três sorteios, mas só duas pessoas entrevistadas.

n=3, ν=2.

Paguei três visitas e trouxe dois domicílios.

Em símbolos

Definição 2.3.

n(s)=∑i=1Nfi(s)
ν(s)=∑i=1Nδi(s)

Sempre ν⩽n.

Um plano em que n(s) é o mesmo para toda amostra tem nome. Qual, e por que importa?

Plano de tamanho fixo.

Importa porque é uma das duas hipóteses de (2.14)–(2.15), as fórmulas do passo 11 — e sem ela quase nada do capítulo 3 funciona.

6 O plano amostral é uma lista com probabilidades

Passo 6 de 12

Planejar a amostra = dizer quais amostras podem sair e com que chance cada uma.

Só isso. Nenhuma outra exigência.

No exemplo

Sorteio duas vezes, com reposição, cada domicílio com chance 1/3. Sai o plano A:

9 amostras possíveis, cada uma com P(s)=1/9.

11, 12, 13, 21, 22, 23, 31, 32, 33 — a soma dá 9 × 1/9 = 1. ✓

Em símbolos

Definição 2.5. Um planejamento amostral é uma função P(s) sobre S(U) com

P(s)⩾0,∑sP(s)=1

SA = as amostras com probabilidade positiva.

O livro usa cinco planos sobre a mesma população de três. Vale olhar o que muda de um para o outro:

Exemplo 2.6 — os cinco planos. Repare que só o A e o B são “razoáveis”.
PlanoO que éTam. fixo?Todos alcançáveis?
AAAS com reposição, n=2: 9 amostras, 1/9 cadasimsim
BAAS sem reposição, n=2: 6 ordenadas, 1/6 cadasimsim
Ctamanho variável (1, 2 ou 3 sorteios)nãosim
Dprobabilidades desiguais e assimétricassimsim
Esó algumas amostras têm chancesimnão — π13=0
Por que o plano E é um problema

Nele as unidades 1 e 3 nunca aparecem juntas. Há informação sobre a população que nenhuma amostra desse plano consegue trazer.

Guarde o nome π13 = 0: no capítulo 9 isso vira o motivo de o estimador de Horvitz–Thompson precisar de πij>0.

Um plano precisa ter tamanho fixo para ser válido?

Não. A Definição 2.5 pede só P(s)⩾0 e soma 1. O plano C tem tamanho variável e é um plano legítimo.

Mas quase todos os resultados do livro pedem tamanho fixo. Plano válido e plano onde as fórmulas valem são coisas diferentes.

7 Estatística, e a distribuição que ela ganha

Passo 7 de 12

Uma conta feita na amostra é uma estatística. Como a amostra é sorteada, a conta vira variável aleatória.

A lista dos valores possíveis com suas probabilidades é a distribuição amostral.

Três definições que são quase a mesma coisa, ditas em ordem:

  1. Definição 2.6 — dados da amostra. ds são os valores observados. Para s=(1,2): ds=(12,30).
  2. Definição 2.7 — estatística. Qualquer função desses valores. A média y¯=21 é uma.
  3. Definição 2.8 — distribuição amostral. Percorra todas as amostras do plano, calcule a estatística em cada uma, some as probabilidades dos valores repetidos.

Fazendo isso para y¯ no plano A: nove amostras, mas só seis valores distintos, porque (1,2) e (2,1) dão a mesma média.

distribuição amostral da média — plano A, dois sorteios 1/9 2/9 1/9 2/9 2/9 1/9 12 15 18 21 24 30 E[ȳ] = 20 = μ
As nove amostras colapsam em seis valores. O ponto de equilíbrio das barras é exatamente μ — é isso que “não viesado” quer dizer.
Por que 15 e 21 têm o dobro da chance de 12 e 30?

Porque vêm de duas amostras cada. A média 21 sai de (1,2) e de (2,1); a média 15 sai de (1,3) e (3,1).

Já 12 só sai de (1,1) e 30 só de (2,2) — uma amostra cada.

8 Esperança e variância são médias ponderadas pelo plano

Passo 8 de 12

Nada de fórmula nova: some valor × probabilidade sobre todas as amostras.

Trocar o plano muda a resposta, mesmo com a mesma estatística e o mesmo n.

E[t]=∑st(s)P(s),Var[t]=∑s(t(s)−E[t])2P(s)

No plano A, com a distribuição do passo 7:

  1. E[y¯]=12+2·15+18+2·21+2·24+309=1809=20 — não viesado.
  2. Var[y¯]=28.
  3. Confira: σ2/n=56/2=28. ✓ (com reposição → σ2, como no passo 2)

Agora o mesmo n, sem reposição (plano B, lido sem ordem — três amostras: {12,30}, {12,18}, {30,18}):

  1. Médias: 21, 15, 24, cada uma com 1/3.
  2. E[y¯]=20 — também não viesado.
  3. Var[y¯]=14.
  4. Confira: (1−23)842=14. ✓ (sem reposição → S2)
28 contra 14

Mesmo n, mesma estatística, mesma população. Metade da variância só por não repor.

Faz sentido: repondo, você paga por entrevistas que às vezes repetem a mesma pessoa. Esse número tem nome — EPA — e é o assunto do fim do capítulo 3.

D <- c(12, 30, 18)
S <- expand.grid(D, D)              # plano A: 9 amostras
yb <- rowMeans(S)
c(mean(yb), mean((yb - mean(yb))^2))
## [1] 20 28
Se o plano fosse “sorteie uma só unidade, com chance 1/3 cada”, quanto seria Var[y¯]?

n=1, então y¯ é o próprio valor sorteado: 12, 30 ou 18 com 1/3 cada.

E=20 e Var=σ2=56.

Bate com σ2/n para n=1. Com uma unidade só, a variância do estimador é a variância da população.

9 A chance de cada unidade entrar: πi e πij

Passo 9 de 12

Some as probabilidades de todas as amostras que contêm a unidade i. Pronto: é πi.

Se algum πi der zero, aquela unidade é invisível para o plano.

No exemplo — plano A

Quais das 9 amostras contêm a unidade 1?

11, 12, 13, 21, 31 — são cinco.

π1=5/9, e o mesmo para 2 e 3.

Contêm 1 e 2? Só 12 e 21. Logo π12=2/9.

Em símbolos

Definição 2.9.

πi=∑s∋iP(s)=E[δi]
πij=∑s⊃{i,j}P(s)

A igualdade πi=E[δi] é imediata: δi vale 1 ou 0.

Em plano de tamanho fixo há um teste de aritmética grátis:

∑i=1Nπi=E[ν]

Sem reposição isso dá exatamente n. Com reposição dá menos, porque ν<n às vezes — no plano A, 3×5/9=5/3, e de fato o número médio de domicílios distintos em 2 sorteios é 1,67.

No plano B (sem reposição, n=2, N=3), quanto vale πi?

Três amostras não ordenadas, e cada unidade está em duas delas. Logo πi=2/3.

Que é n/N. E ∑πi=3×2/3=2=n. ✓

10 Viés e EQM: errar no centro e errar no espalhamento

Passo 10 de 12

Viés é a distância entre o centro da distribuição amostral e o alvo.

EQM soma os dois defeitos: o centro errado e o espalhamento.

Volte ao 10 do passo 1 — a renda por trabalhador da população. Na amostra, a conta análoga é r=(soma das rendas)/(soma dos trabalhadores). Calculando nas 9 amostras do plano A:

os nove valores do estimador razão — plano A 9,0 9,6 10,0 10,5 12,0 R = 10 · alvo E[r] = 10,13 · centro a distância entre os dois é o viés: 2/15 ≅ 0,13
O 12 solitário à direita é a amostra (1,1) — o domicílio de renda 12 e 1 trabalhador, contado duas vezes. Uma amostra em nove puxa o centro para cima.
ViésB[θ^]=E[θ^]−θ

10,133 − 10 = 2/15

VariânciaVar[θ^]

283/450 ≅ 0,629

EQMVar+B2

0,629 + 0,018 = 97/150

EQM[θ^]=E[θ^−θ]2=Var[θ^]+B2[θ^]
Julga-se o plano, não a amostra

“Não viesado” é propriedade da média sobre todas as amostras possíveis. A sua amostra pode estar longe do alvo — e nada nela avisa.

Por isso a resposta certa nunca é “deu 15, então errei”. É “sob este plano, E[y¯]=μ e o erro padrão é tanto”.

O livro imprime EQM = 0,6458 no Exemplo 2.14; sai do viés arredondado para 0,13. O valor exato é 97/150 = 0,6467.

Um estimador A tem viés 0 e variância 10. O B tem viés 2 e variância 3. Qual escolher?

EQM de A = 10 + 0 = 10. EQM de B = 3 + 4 = 7.

Pelo EQM, B — mesmo sendo viesado. Não viés não é sagrado; é um critério entre outros.

O livro quase sempre compara estimadores não viesados, e aí comparar EQM é o mesmo que comparar variância.

11 As duas fórmulas que sustentam os capítulos 3 e 4

Passo 11 de 12 · se você guardar uma coisa deste capítulo, guarde esta

Debaixo de duas hipóteses, a esperança e a variância do total amostral saem de graça.

Depois disso, cada plano novo é só descobrir a distribuição de fi.

(2.14) e (2.15)

Hipóteses: o plano é simétrico e de tamanho fixo. Com t=∑fiYi:

E[t]=E[f]τ,Var[t]=Var[f]NS2

O que cada hipótese quer dizer:

Simétrico

Todo fi tem a mesma distribuição. Nenhuma unidade é privilegiada.

Aí dá para escrever só f, sem índice.

O plano D quebra isto: probabilidades desiguais.

Tamanho fixo

n(s)=n para toda amostra do plano.

Com os dois juntos, E[f]=n/N.

O plano C quebra isto: tamanho variável.

E é só isso que separa o capítulo 3 inteiro deste ponto. Olhe o que vem:

O capítulo 3 em uma linha por plano. Tudo o mais é substituição.
Planofi∼Var[f]daí sai
AAS com reposiçãoBinomial(n,1/N)nN(1−1N)Var[y¯]=σ2/n
AAS sem reposiçãoBernoulli(n/N)nN(1−nN)Var[y¯]=(1−f)S2/n

Repare de onde vem a promessa do passo 2: sem reposição fi só pode valer 0 ou 1, então é Bernoulli, e a conta produz o fator (1−n/N). Com reposição ela pode valer 2, 3, … e é Binomial. Nada mais misterioso que isso.

Vale usar (2.14) no plano C (tamanho variável)?

Não. Falta a hipótese de tamanho fixo.

Vale (2.12) — E[t]=∑YiE[fi] —, que serve para qualquer plano. Mas ela exige conhecer cada Yi, então não fecha em fórmula com τ.

12 O resto das expressões úteis

Passo 12 de 12

São ferramentas de álgebra, não conceitos novos.

Você não precisa decorar: precisa reconhecer quando abrir o livro nesta página.

Onde cada uma é usada depois.
NºO que dizServe para
(2.2)∑(Yi−μ)2=∑Yi2−Nμ2abrir o quadrado; é a conta de sempre
(2.3)o análogo para produtos de duas variáveiscovariância, caps. 5–6
(2.4)∑i≠jYiYj=−∑Yi2+N2μ2o termo cruzado de (2.13) → prova de (2.15)
(2.6)–(2.7)esperança e variância de n(s)plano qualquer
(2.8)–(2.9)Cov[f,f′]=−Var[f]/(N−1)simetria + tamanho fixo; é a peça que fecha (2.15)
(2.12)–(2.13)E e Var de t em plano qualquerquando (2.14) não vale
(2.14)–(2.15)o passo 11caps. 3 e 4 inteiros
(2.16), (2.18)E[t2] e E[sq2]provar que s2 é não viesado (Teor. 3.4 e 3.9)
(2.19)–(2.20)esperança e variância iteradasamostragem em dois estágios, cap. 8
Qual dessas expressões você vai usar no capítulo 3 sem nem perceber?

(2.14)–(2.15), em toda demonstração de variância.

E (2.16) e (2.18) na única demonstração realmente trabalhosa do capítulo 3: a de que s2 estima σ2 sem viés.

✓ Fecho — agora feche a página

Cinco minutos que valem uma hora de releitura

Pegue papel. Feche esta aba. Escreva tudo o que lembra do capítulo, de uma vez só — não passo por passo.

Escrever de memória o texto inteiro parece pior na hora: você lembra menos e trava mais do que se fizesse pedaço por pedaço. Mas dois dias depois rende mais, e o que você lembra sai mais organizado. O esforço de ligar as partes é o que fica.

Depois confira contra a lista abaixo. O que não apareceu, releia só aquele passo.

  1. A população é uma lista fixa; o acaso está no sorteio.
  2. τ, μ, σ2 (divide por N), S2 (divide por N−1).
  3. Amostra é sequência: ordem e repetição contam.
  4. fi conta vezes, δi diz sim/não; t=∑fiYi.
  5. n(s) conta sorteios, ν(s) conta distintos.
  6. Plano = amostras + probabilidades que somam 1.
  7. Distribuição amostral: valores da estatística com suas probabilidades.
  8. E e Var são somas ponderadas por P(s); 28 contra 14 no exemplo.
  9. πi=E[δi]; πi=0 é unidade invisível.
  10. EQM=Var+B2; julga-se o plano, não a amostra.
  11. (2.14)–(2.15) valem sob simetria + tamanho fixo.
  12. Binomial (com reposição) × Bernoulli (sem) — e é daí que vem o (1−f).
Se travou em algum item

Volte ao passo correspondente e refaça só a checagem dele, sem reler o texto. Se acertar, o problema era acesso, não entendimento — e mais uma tentativa resolve.

Depois siga para os exercícios: eles enumeram SA por completo, que é o melhor jeito de não ter dúvida sobre o que é uma distribuição amostral.

+Exercícios resolvidos

Depois do fecho · nove exercícios, com a resposta comentada

Do fim do capítulo, os que fazem contas com os planos do Exemplo 2.6 — enumerando SA por completo, como o livro manda — e os dois que abrem caminho para o capítulo 3: a população de 180 condomínios (2.2), as distribuições de fi, δi, πi e πij nos planos B–E (2.3), EQM e correlação nos mesmos planos (2.4), a média de fumantes (2.5), a população de seis elementos com AASs (2.6), o plano C de tamanho variável (2.7), a conferência de (2.9) (2.8) e, entre os teóricos, a distribuição de yi na AASs (2.10). Todas as frações foram calculadas exatamente e conferidas com a enumeração em Python; o 2.1 fica só com o código, porque o resultado depende da semente.

Exercício 2.1 — Simular uma população N(50, 16) de tamanho 100

Simule uma população de tamanho N=100 com Y∼N(50,16) e encontre τ, μ e S2.

Atenção à notação: N(50,16) é média 50 e variância 16, então rnorm recebe desvio padrão 4. E var() do R já divide por N−1: é S2; para σ2 multiplique por (N−1)/N.

set.seed(2004)
Y <- rnorm(100, mean = 50, sd = 4)     # N(50, 16): variância 16, desvio padrão 4
N <- length(Y)
tau <- sum(Y); mu <- mean(Y); S2 <- var(Y); sigma2 <- S2 * (N - 1) / N
c(tau, mu, S2, sigma2)
# os seus números dependem da semente; espere tau ≈ 5000, mu ≈ 50, S2 ≈ 16

O ponto do exercício é a mudança de status: depois de simulada, a população é fixa — τ, μ e S2 são constantes, não estimativas. Toda a aleatoriedade dos próximos capítulos virá do sorteio de amostras dessa população, e é contra esses três números que se medem viés e variância. (A normal foi só a fábrica dos Yi; S2 não é 16, é o que saiu.)

Exercício 2.2 — A população de 180 condomínios (Tabela 2.8)

X é o número de apartamentos do condomínio e Y o número de apartamentos alugados (brancos = zero). Encontre: (a) μY, τY, SY2; (b) μX, τX, SX2; (c) a proporção P de condomínios com mais de 20 apartamentos alugados e a variância populacional da variável Wi que vale 1 se o condomínio tem mais de 20 alugados e 0 caso contrário.

Os 180 pares, transcritos da Tabela 2.8 (livro p. 60), na ordem i=1,…,180:

Y <- c(19, 17, 25, 84, 91, 48, 48, 20, 34, 42, 35, 55, 42, 36, 13, 7, 8, 18,
       20, 18, 0, 23, 0, 19, 11, 11, 42, 28, 8, 0, 47, 27, 80, 52, 90, 78, 46,
       35, 59, 27, 33, 27, 9, 9, 12, 49, 60, 35, 11, 21, 22, 10, 9, 7, 3, 5,
       2, 8, 14, 5, 67, 44, 43, 15, 17, 29, 18, 14, 24, 35, 48, 20, 24, 55,
       43, 13, 19, 48, 44, 36, 3, 2, 13, 34, 28, 23, 8, 69, 2, 5, 34, 13, 16,
       21, 12, 10, 50, 58, 17, 41, 3, 4, 18, 1, 1, 3, 6, 5, 5, 4, 0, 0, 7, 7,
       3, 12, 11, 27, 14, 2, 1, 22, 25, 2, 4, 7, 15, 10, 5, 8, 8, 0, 4, 1, 3,
       0, 14, 3, 5, 0, 11, 19, 5, 0, 3, 12, 4, 14, 0, 20, 6, 4, 9, 54, 50, 9,
       6, 5, 1, 1, 0, 2, 2, 3, 1, 6, 3, 3, 5, 3, 0, 0, 0, 2, 0, 0, 0, 1, 0, 0)
X <- c(23, 18, 33, 89, 114, 66, 61, 25, 46, 58, 44, 66, 61, 45, 20, 16, 15,
       26, 22, 22, 2, 29, 3, 29, 21, 15, 54, 42, 13, 2, 53, 28, 90, 68, 99,
       89, 48, 48, 62, 33, 43, 37, 14, 15, 21, 68, 81, 59, 23, 32, 36, 16, 15,
       16, 8, 25, 11, 9, 19, 5, 110, 57, 81, 23, 25, 59, 27, 22, 29, 44, 53,
       27, 28, 62, 56, 22, 22, 57, 57, 46, 8, 4, 18, 42, 32, 28, 14, 76, 19,
       9, 48, 24, 27, 32, 14, 18, 61, 65, 25, 68, 8, 12, 27, 3, 3, 6, 14, 15,
       14, 9, 1, 4, 12, 22, 11, 27, 20, 38, 31, 4, 3, 37, 30, 3, 4, 13, 24,
       19, 17, 13, 18, 1, 10, 4, 9, 5, 20, 5, 13, 1, 23, 39, 9, 2, 5, 26, 10,
       35, 4, 38, 37, 11, 24, 102, 82, 24, 18, 18, 3, 6, 1, 7, 8, 12, 4, 8, 9,
       7, 12, 10, 1, 1, 1, 4, 1, 1, 2, 1, 1, 1)
N <- length(Y); N
## [1] 180
c(sum(Y), mean(Y), var(Y))                  # (a)
## [1] 3363.00000   18.68333  409.74832
c(sum(X), mean(X), var(X))                  # (b)
## [1] 4928.00000   27.37778  609.40956
W <- as.numeric(Y > 20); P <- mean(W)       # (c)
c(sum(W), P, var(W), P * (1 - P))
## [1] 58.0000000  0.3222222  0.2196151  0.2183951

(a) τY=3363, μY=18,68, SY2=409,7. (b) τX=4928, μX=27,38, SX2=609,4. (c) 58 dos 180 condomínios têm mais de 20 alugados: P=58/180=0,3222. Uma proporção é a média de uma variável 0–1, e a sua variância populacional tem forma fechada: σ2=P(1−P)=0,2184 e S2=NN−1P(1−P)=0,2196 — porque Wi2=Wi, e (2.2) dá ∑(Wi−P)2=NP−NP2. Guarde esta população: ela volta nos exercícios dos capítulos 3, 5 e 6 (a razão R=3363/4928=0,682 apartamentos alugados por apartamento, e a correlação ρXY=0,96, é o que faz os estimadores razão e regressão brilharem).

Exercício 2.3 — fi, δi, πi e πij nos planos B, C, D e E

Para cada plano B, C, D, E do Exemplo 2.6: (a) construa as distribuições de fi e δi; (b) calcule E[δi] e Var[δi]; (c) encontre πi e πij.

Regra geral que resolve (b) e (c) de uma vez: δi é Bernoulli(πi), logo E[δi]=πi e Var[δi]=πi(1−πi); πi é a soma de P(s) sobre as amostras que contêm i, e πij sobre as que contêm ambos. Nos planos sem reposição (B, D, E), fi=δi; só em C, com reposição, fi pode passar de 1.

Distribuições de fi e δi, probabilidades de inclusão e momentos. Em B, D e E, fi=δi.
PlanoUnidadefi: valores (probabilidades)πi=E[δi]Var[δi]πij
B1, 2, 30 (1/3), 1 (2/3)2/32/9π12=π13=π23=1/3
C10 (14/27), 1 (8/27), 2 (4/27), 3 (1/27); δ1: 0 (14/27), 1 (13/27)13/27182/729π12=π23=6/27, π13=8/27
20 (8/27), 1 (19/27) — nunca repete: o sorteio para quando o 2 sai19/27152/729
3igual à unidade 113/27182/729
D10 (7/12), 1 (5/12)5/1235/144π12=4/15, π13=3/20, π23=7/12
20 (3/20), 1 (17/20)17/2051/400
30 (4/15), 1 (11/15)11/1544/225
E10 (1/2), 1 (1/2)1/21/4π12=π23=1/2, π13=0
21 (1) — degenerada10
30 (1/2), 1 (1/2)1/21/4

Como se chega a cada linha — dois exemplos. C, unidade 1: f1=3 só em (111), 1/27; f1=2 em (112), (113), (131), (311), 4/27; f1=1 em (12), 1/9, e (132), (312), (133), (313), (331), 5/27 — total 8/27; o resto, 14/27. π1=1−14/27=13/27. D, unidade 3: amostras com 3: (13) 1/15, (31) 1/12, (23) 1/3, (32) 1/4 — em sessenta avos, 4 + 5 + 20 + 15 = 44, logo π3=44/60=11/15. Duas verificações que valem para qualquer plano de tamanho fixo n: ∑πi=n (em D: 25/60+51/60+44/60=2) e ∑j≠iπij=(n−1)πi (em D, i=1: 4/15+3/20=25/60=π1). Em C, de tamanho variável, ∑πi=45/27=5/3=E[ν], o tamanho efetivo esperado — não o tamanho esperado E[n]=19/9 do Exercício 2.7.

Em D, o plano PPT faz o que promete: a unidade 2, com 3 dos 6 trabalhadores, tem π2=0,85; a unidade 1, com 1 trabalhador, π1=0,42. E o plano E tem π13=0: as unidades 1 e 3 nunca aparecem juntas — no capítulo 9 isso torna a variância de Horvitz–Thompson inestimável.

Exercício 2.4 — EQM de r, covariância e correlação com f¯ nos planos B, C, D e E

Para os planos B, C, D e E, calcule EQM[r], Cov[r,f¯] e Corr[r,f¯], com os dados do Exemplo 2.10 (R=10).

Mesma receita do Exemplo 2.11, plano a plano. Para C, a distribuição de r tem sete valores: 9 (1/27, de 333), 66/7 ≈ 9,43 (1/27, de 332), 9,6 (2/9), 10 (11/27), 10,5 (2/9), 10,8 (1/27, de 112) e 12 (1/27, de 111). A tabela resume; abaixo, o código que a produz.

PlanoE[r]Var[r]B[r]EQM[r]E[f¯]Var[f¯]Cov[r,f¯]Corr
A (Ex. 2.14)10,13330,62890,13330,64672028−1,8000−0,4289
B10,03330,13560,03330,13672014−0,3667−0,2662
C10,06770,30750,06770,312122,4138,02−1,0609−0,3103
D9,90000,1500−0,10000,160021,859,9275−0,6150−0,5040
E10,05000,20250,05000,205022,52,25−0,6750−1
F <- c(12, 30, 18); T <- c(1, 3, 2); R <- sum(F) / sum(T)
momentos <- function(S, p) {              # S: lista de amostras; p: suas probabilidades
  r  <- sapply(S, function(s) sum(F[s]) / sum(T[s]))
  fb <- sapply(S, function(s) mean(F[s]))
  Er <- sum(r * p); Vr <- sum((r - Er)^2 * p)
  Ef <- sum(fb * p); Vf <- sum((fb - Ef)^2 * p)
  Cv <- sum((r - Er) * (fb - Ef) * p)
  round(c(EQM = Vr + (Er - R)^2, Cov = Cv, Corr = Cv / sqrt(Vr * Vf)), 4)
}
momentos(list(c(1,2), c(1,3), c(2,1), c(2,3), c(3,1), c(3,2)), rep(1/6, 6))          # B
##     EQM     Cov    Corr
##  0.1367 -0.3667 -0.2662
momentos(list(2, c(1,2), c(3,2), c(1,1,2), c(1,3,2), c(3,3,2), c(3,1,2), c(1,1,1),
              c(1,1,3), c(1,3,1), c(3,1,1), c(1,3,3), c(3,1,3), c(3,3,1), c(3,3,3)),
         c(1/3, 1/9, 1/9, rep(1/27, 12)))                                            # C
##     EQM     Cov    Corr
##  0.3121 -1.0609 -0.3103
momentos(list(c(1,2), c(2,1), c(1,3), c(3,1), c(2,3), c(3,2)),
         c(1/10, 1/6, 1/15, 1/12, 1/3, 1/4))                                         # D
##    EQM    Cov   Corr
##  0.160 -0.615 -0.504
momentos(list(c(1,2), c(3,2)), c(1/2, 1/2))                                          # E
##    EQM    Cov   Corr
##  0.205 -0.675 -1.000

Leitura. Todos os planos dão r viesado — é a regra para razões —, mas o viés é pequeno perto da variância. Em EQM, B (AASs) bate A (AASc) por um fator de quase 5: sem reposição não existem as amostras (11) e (33), que dão os valores extremos 12 e 9. D (PPT) é o segundo melhor e o único com viés negativo: ele privilegia o domicílio 2, cuja renda por trabalhador (10) é exatamente R, e aparece muito (23) e (32), que dão 9,6. E tem só duas amostras, logo r e f¯ são funções lineares uma da outra e a correlação é −1. E repare em E[f¯]: só em A e B a média amostral é não viciada para μF=20; em C, D e E, que não são simétricos, ela superestima — o domicílio rico entra demais.

Exercício 2.5 — A média de fumantes z¯ nos planos A e B

Seja z¯ a média de fumantes na amostra (Exemplo 2.1: G=(0,1,1)). Encontre E[z¯] e Var[z¯] sob os planos A e B.

Direto pela enumeração: em A, z¯ vale 0 em (11), 1/2 em (12), (13), (21), (31), e 1 em (22), (23), (32), (33) — probabilidades 1/9, 4/9, 4/9. Em B, vale 1/2 em (12), (13), (21), (31) e 1 em (23), (32) — 2/3 e 1/3.

EA[z¯]=12·49+1·49=23,VarA[z¯]=14·49+1·49−49=19; EB[z¯]=12·23+13=23,VarB[z¯]=14·23+13−49=118.

Pela seção 6.3, sem enumerar: a proporção populacional é P=2/3, σ2=P(1−P)=2/9, S2=32·29=13. Ambos os planos são simétricos de tamanho fixo, então E[z¯]=E[t]/2=E[f]τ/2=(2/3)(2)/2=2/3 nos dois; e Var[z¯]=Var[f]NS2/4: em A, Var[f]=4/9 dá (4/9)(3)(1/3)/4=1/9; em B, Var[f]=(2/3)(1/3)=2/9 dá 1/18. Confere — e mostra o fator de correção (N−n)/(N−1)=1/2 entre AASs e AASc.

Exercício 2.6 — N=6, D=(2,6,10,8,10,12), AASs com n=2

Uma amostra de n=2 é selecionada sem reposição, cada amostra de SA com a mesma probabilidade. (a) Calcule Var[fi] e Cov[fi,fj]; o plano é simétrico? (b) Encontre a distribuição de t(s), E[t] e Var[t]. (c) Verifique se y¯ é não viciado para μ e calcule Var[y¯].

A população. τ=48, μ=8, desvios −6,−2,2,0,2,4, soma de quadrados 64, logo S2=64/5=12,8 e σ2=64/6.

(a) Sem reposição, fi=δi. Tomando as 15 amostras não ordenadas com 1/15 cada, a unidade i está em 5 delas: πi=5/15=1/3=n/N e Var[fi]=13·23=29. O par {i,j} é uma única amostra: πij=1/15, e

Cov[fi,fj]=πij−πiπj=115−19=−245.

Os valores não dependem de quais i, j se escolhem — o plano é simétrico, porque a regra trata todas as unidades do mesmo modo (qualquer permutação dos rótulos deixa P(s) igual). E é de tamanho fixo: (2.9) prevê −Var[f]/(N−1)=−(2/9)/5=−2/45. ✓

(b) As 15 somas de pares: 8 (uma vez: {2, 6}), 10 (1), 12 (2), 14 (2), 16 (2), 18 (3: {6,12}, {10,8}, {8,10}), 20 (2), 22 (2).

t810121416182022
P(t)1/151/152/152/152/153/152/152/15
E[t]=8+10+2·12+2·14+2·16+3·18+2·20+2·2215=24015=16 Var[t]=E[t2]−162=409615−256=25615≈17,07.

Pelas fórmulas: E[t]=E[f]τ=(1/3)(48)=16 e Var[t]=Var[f]NS2=(2/9)(6)(64/5)=256/15. ✓ (E (2.16): E[t2]=256/15+256=4096/15. ✓)

(c) y¯=t/2, logo E[y¯]=8=μ — não viciado — e Var[y¯]=25615·4=6415≈4,27. Na forma que o capítulo 3 vai consagrar: (1−n/N)S2/n=(2/3)(12,8)/2=4,27.

D <- c(2, 6, 10, 8, 10, 12); N <- 6
S <- combn(N, 2)                              # as 15 amostras não ordenadas, 1/15 cada
t <- colSums(matrix(D[S], nrow = 2))
table(t)
## t
##  8 10 12 14 16 18 20 22
##  1  1  2  2  2  3  2  2
c(mean(t), mean(t^2) - mean(t)^2, var(D) * N * (1/3) * (2/3))
## [1] 16.00000 17.06667 17.06667

Exercício 2.7 — O plano C: tamanho aleatório, sem simetria

Para o plano C: (a) E[n] e Var[n]; (b) o plano é simétrico? (c) a distribuição de r: (i) r é não viciado para R=F¯/T¯? (ii) EQM[r].

(a) n vale 1 com probabilidade 1/3 (a amostra (2)), 2 com 2/9 ((12) e (32)) e 3 com 12/27 = 4/9. Então E[n]=13+49+129=199≈2,11, E[n2]=39+89+369=479 e Var[n]=479−36181=6281≈0,77. Pela via de (2.6): E[f1]+E[f2]+E[f3]=3×19/27=19/9. ✓

(b) Não. Curiosamente as esperanças coincidem — E[f1]=E[f2]=E[f3]=19/27 — mas as variâncias não: Var[f1]=530/729 (a unidade 1 pode aparecer até 3 vezes) e Var[f2]=152/729 (a unidade 2 aparece no máximo uma vez, porque encerra o sorteio). As covariâncias também diferem: Cov[f1,f2]=−172/729, mas Cov[f1,f3]=+17/729 — positiva, porque 1 e 3 só aparecem muito quando o 2 demora a sair. Sem simetria, (2.14) e (2.15) não valem: de fato E[t]=∑YiE[fi] ainda é (19/27)τ porque as esperanças por acaso coincidem, mas a variância precisa de (2.13) inteira.

(c) A distribuição de r está no Exercício 2.4: sete valores, de 9 a 12, com E[r]=9514/945≈10,068. (i) R=F¯/T¯=20/2=10; E[r]≠10, logo viciado, com B=64/945≈0,068. (ii) EQM[r]=0,3075+0,0682=0,3121 — pior que B e D (tamanho fixo 2), melhor que A, com um tamanho médio de 2,11 unidades.

Exercício 2.8 — Conferir (2.9) no plano A

Para o plano A, calcule Cov[f1,f2] e verifique (2.9).

Da Tabela 2.5, o produto f1f2 é 1 nas amostras (12) e (21) e 0 nas outras sete: E[f1f2]=2/9. Com E[f1]=E[f2]=2/3,

Cov[f1,f2]=29−23·23=−29,−Var[f]N−1=−4/92=−29.✓

(Var[f]=4/9 da Tabela 2.6: E[f12]=4/9+4/9=8/9, menos 4/9.) O vetor (f1,f2,f3) na AASc é Multinomial(2; 1/3, 1/3, 1/3), cuja covariância é −npipj=−2/9 — o mesmo número por outro caminho.

Exercício 2.10 (teórico) — A distribuição de yi na AASs

Para a AASs de uma população com N elementos, encontre a distribuição de y1,…,yn dadas em (2.1) e verifique que E[yi]=Y¯, Var[yi]=N−1NS2 e Cov[yi,yj]=−S2/N.

A marginal. Na AASs ordenada, o elemento que cai na posição i é qualquer um dos N com igual probabilidade — na posição 1 por construção, e nas seguintes por simetria: cada uma das N(N−1)⋯(N−n+1) sequências tem a mesma probabilidade, e o número de sequências com a unidade k na posição i não depende de i nem de k. Logo P(yi=Yk)=1/N, k=1,…,N: yi é uniforme sobre os valores da população, e

E[yi]=1N∑Yk=Y¯,Var[yi]=1N∑(Yk−μ)2=σ2=N−1NS2.

O par. Para i≠j, (yi,yj) é um par ordenado de unidades distintas, uniforme sobre os N(N−1) pares. Então, usando (2.4) e depois (2.2),

E[yiyj]=1N(N−1)∑k≠lYkYl=N2μ2−∑Yk2N(N−1), Cov[yi,yj]=N2μ2−∑Yk2N(N−1)−μ2=Nμ2−∑Yk2N(N−1)=−∑(Yk−μ)2N(N−1)=−S2N.∎

Para que serve. É a versão “por posições” do que a seção 6.3 fez “por unidades”: Var[t]=∑Var[yi]+∑i≠jCov[yi,yj]=nN−1NS2−n(n−1)S2N=n(1−nN)S2 — o mesmo 256/15 do Exercício 2.6 com n=2, N=6, S2=12,8: 2×56×12,8−2×12,86=21,33−4,27=17,07. ✓ Com reposição as posições seriam independentes e a covariância zero — é o caminho do capítulo 3.

Sobre esta versão. Mesmo conteúdo do capítulo 2 de Bolfarine & Bussab (págs. 37–60), reorganizado em doze passos curtos, cada um com o caso numérico antes do símbolo e uma pergunta de recuperação no fim. Todos os valores foram recalculados. Divergências do impresso: no Exemplo 2.7 a fórmula de P(s) repete “se i∈s” por erro de composição (leia “1/9 se s∈S2”); no Exemplo 2.14 o EQM impresso é 0,6458, e o exato é 97/150 = 0,6467.